Hoje tive minha alma desnudada.
Hoje me confrontei, novamente,
com fatos terríveis sobre essa personalidade que julgo ser Eu.
Eu!!!
Hoje constatei, reafirmei,
senti vibrar em cada átomo que compõe esse holograma Siomara,
o quanto estou morta e o quanto ainda cultuo esse defunto.
Deus, Amor, Confiança, Honestidade, Morte, Eu...
Está tudo abalado, fragmentado, chacoalhado...
Em suspensão aqui dentro (mente).
Percebi onde habita todo o meu amor: na vaidade.
Onde habita toda a minha fé: no apego.
Onde habita toda a minha dor: nos meus desejos.
Onde habita toda minha bondade: no meu egoismo.
E dói assumir a responsabilidade por si mesma!
E dói perceber que ainda persisto em alimentar toda essa canalhice...
E dói, porque já não faz sentido manter vivo um zumbi que suga minha energia,
que fala por mim, como se fosse Eu, mas palavras torpes e mentirosas.
Não estou sendo honesta comigo!
Não tenho sido Eu há pelo menos uns 28 anos...
Ah, é, tenho 28 anos!
Aquilo que eu penso ser eu está morto:
é memória, é tradição, é conceito, é teoria,
é estrutura, é molde, é gesso...
Inanimado! Já não serve mais.
Preciso perceber que há algo novo em mim a cada inspirar-expirar
e só isso é verdadeiro.
Só a ação é verdadeira.
O que vem depois da ação é só tradição - traição.
Meus conteúdos precisam ser esvaziados... Estou transbordando.
Preciso chorar. Preciso de abraços, afagos
e uns tapas na cara para ver o que realmente dói:
É a pele ou é o brio? É a carne ou é o símbolo?
Senti ciúme.
E o que é o ciúme se não o espinho discreto
que se camufla sob a rosa do amor?
A gente ama outra pessoa mesmo?
Se ama, porque sentir ciúme? É normal mesmo?
Até quando?
NÃO! EU NÃO AMO NINGUÉM MESMO!
O ciúme me fala o quanto tenho medo (eu, essa personalidade vil)
de ser preterida, esquecida,
substituída, inutilizada, desvalorizada...
O que o ciúme aponta é o medo desse ego de não ter seus desejos atendidos,
suas necessidades satisfeitas, suas lacunas preenchidas (mesmo que temporariamente).
Tudo falso! Tudo ilusório!
TUDO UMA GRANDE TRAPAÇA!
Enquanto eu não abandonar esse cadáver que chamo de Minha Personalidade,
Eu, Meu Ego, etc, viverei de farsas, mentiras, corrupção,
engodo, máscaras e contradição...
Enquanto eu não aceitar o que de fato é (não o que acho que sou),
viverei presa nesse ciclo humano de dor e prazer, até enjoar...
E o choro vem para lavar meus olhos
que acabaram de enxergar tanta podridão no espelho.
E eu choro, porque não me resta mais nada agora.
Chorar é ato.
Secar é ato.
Respirar é ato.
Morrer é ato.
Nascer é ato. A cada segundo.