Sou terra fértil
Sou terra molhada
Onde o que se planta nasce
E o que nasce, vinga
E o que vinga, floresce
E as flores dão frutos de LUZ.
Sou terra fértil
Sou terra molhada
Adubada, arada e ampla
Pronta para as infinitas possibilidades
Do cultivo, do labor, da criação, da sensibilização.
Sou terra molhada de chuva e suor.
Sou terra fértil de vida e idéias.
Sinto em meu solo
O contato alquímico
Da Sabedoria cósmica
E do Amor divino.
domingo, 21 de outubro de 2018
sábado, 20 de outubro de 2018
Percepções de Oxum: um banho de luz dourada.
Entrei no Vila Velha ansiosa. Cumprimentei a querida Onisajé, diretora artística do espetáculo, e sentei na primeira fileira, me sentindo como uma menina: estava encantada com a beleza do cenário. O elenco já estava posicionado, entoando sons, como um lamento, um chorinho manhoso de menina-moça ou um sussurro doído de deusa-mulher.
Com o público todo acomodado, as luzes indicaram que a viagem para um mundo mágico estava prestes a começar. Os atores cantavam e saudavam ao que me pareceu Exu, pedindo agô, permissão, abrindo os caminhos para a passagem da yabá das águas doces. Oreyê yê! E ela chegou com firmeza nos passos.
"Quem escreve com líquido sou eu!"
Essa frase cantada tantas vezes, como um mantra de um poder feminino ancestral, me hipnotizou. Fui mergulhada nas águas cintilantes das 4 facetas de Oxum que se apresentaram essa noite.
Dialogando com seus pares masculinos, cada aspecto de Oxum trazia uma qualidade diferenciada no temperamento, na atitude, contudo, sempre amorosa, bela e altiva. Oxum Opará – Justiceira e guerreira; Oxum Okê – caçadora; Oxum Abotô – relacionada ao parto e ao nascimento e Oxum Ijimu, a feiticeira e senhora da fecundidade. (Retirei essas informações da sinopse.)
"Qual o seu poder, mulher? Onde você seca?"
E ela decretou estado de greve geral: tudo o que for líquido no mundo secará, enquanto o masculino não aprender a escutar. Escute, homem, escute!
Oxum convocou a humanidade, para olhar com respeito e empatia o sagrado feminino que reside em cada mulher, em especial, para a mulher negra, que está no grupo minoritário de maior risco e com altos níveis de feminicídios registrados.
Oxum propôs uma mudança genial na língua portuguesa, em que todas as palavras terminariam com a desinência feminina, pois o mundo surge da mulher e nada mais justo seria dar a ela as honras devidas. Personificada na figura de uma mulher negra acadêmica, sendo avaliada por uma bancada toda composta por homens, essa faceta de Oxum questiona o machismo e o racismo institucionais presentes em toda a estrutura social vigente, com um toque de humor sagaz que arrancou gargalhadas da plateia.
Houve espaço até para o uso da metalinguagem, em uma crítica sarcástica ao complexo vira-lata da tradição teatral na Bahia, ao costume esnobe de enaltecer o teatro europeu e torcer o nariz para o teatro preto produzido aqui. Aquela estória de que santo de casa não faz milagre! Mas o NATA fez o milagre da magia acontecer em Oxum e não deixou nada a desejar.
Outra Oxum, a pagodeira que usa shortinho curto "sim, sim, sim, sim", enfrentou a violência doméstica e o assédio sexual dentro e fora de casa. Colocou o dedo na cara do seu opressor e declarou que não tem medo!
Oxum Ijimu falou também do amor de mãe, amor incondicional, que não julga as escolhas de nenhuma mulher. Ela contou histórias daquelas que precisaram "devolver ao Orum o ser que estava no ventre", devolveram por amor, sempre é por amor. Essa cena tem total relação com essa pauta tão atual nas discussões políticas que é a legalização do aborto, porque, em última instância, quem morre diariamente com abortos clandestinos no Brasil são as mulheres pretas e pobres.
A peça traz um aspecto musical belíssimo, com releituras dos cânticos sagrados do candomblé. A cantora Joana Boccanera está o tempo inteiro no palco, posicionada no ponto mais alto do cenário, como uma Deusa anciã, ao pé de uma "mulher-árvore" milenar, responsável pela musicalidade do espetáculo.
Ao final, Oxum Opará convoca a todas e todos para estarmos juntos, unidos! O mundo sem água não floresce. O masculino sem o feminino adoece. Esses dois polos de força precisam viver em respeito mútuo, cada um no seu sagrado, se equilibrando para manter a magia da vida acontecendo. Escute, homem, Oxum convoca para o equilíbrio!
Sem dúvida, Oxum foi uma das peças mais encantadoras que vi esse ano! Linda em todos os aspectos: texto, figurino, cenário, luz, música, elenco. E a criticidade na abordagem de temas tão sérios e polêmicos não pesou nem soou panfletária, ao contrário, veio como um tapa seco, suavizado logo em seguida por um banho de cachoeira.
As provocações de Oxum entraram direto no inconsciente de quem teve a oportunidade de assistir ao espetáculo e, certamente, saiu de lá transformado. Eu tremia de emoção, minhas mãos estavam geladas! Foi muito gratificante ver tantas mulheres parecidas comigo personificando uma Deusa! Tudo vibrava na frequência dourada da beleza e altivez dessa yabá tão adorada!
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SIOMARA DIAS
- Formação em Letras Vernáculas com Inglês e estudante de Artes Cênicas, pelo Bacharelado Interdisciplinar. Escreve poemas e outros devaneios em seu blog InExpiração. Mãe de uma menina de 2 anos e meio, concilia suas demandas artísticas e acadêmicas com as inúmeras pausas para conversas sobre palhaços e animais .
Abraçar é um ato de coragem!
Parafraseando Paulo Freire, em tempos de neo-fascismo, começo essa reflexão sobre a força política de um abraço, com uma indagação: O que sentimos verdadeiramente ao presenciar duas pessoas se abraçando?
Sinto que sou contagiada por aquela atmosfera de afeto e me dá uma vontade de estar ali naquele afago também! Uma pontinha de inveja, de querer ter alguém para abraçar também... Sinto uma alegria pelos abraçantes, esboço um sorriso discreto, tenho vontade de cantarolar.
Em 19 de outubro de 2018, eu abracei meus 13 colegas da turma de "Lab. de interpretação: teatro, rito e performance" por mais de 1 hora. Ofertei também Abraços a pessoas desconhecidas que manifestaram interesse. Explico: Fomos ao Shopping Barra, conhecido por ser um dos mais "elitistas" de Salvador. Nosso programa performativo era simples: Caminhar pelos 3 primeiros pisos do shopping; parar e olhar fixamente, por 1 minuto, ao encontrar com algum colega da turma; correr até a pessoa e abraçá-la por 1 minuto.
Meu primeiro objeto de Abraço foi uma colega que já estava em um abraço coletivo. Então, quando corri para abraçar, me juntei ao grupo. Os transeuntes comentavam "Que Abraço gostoso!". Muitas pessoas sorriam, comentavam sobre aquele abraço. Nos dispersamos e a ação prosseguiu.
Eu parava, a uma distância significativa, fitando o colega e observando, com a visão periférica, a reação de espectador de jogo de tênis dos que estavam ao redor: pra lá, pra cá, pra lá, pra cá - o que está acontecendo aqui? - correram, abraçaram - oxe! E sorriam, na maioria das vezes. Alguns eram indiferentes. Alguns torciam o nariz. Mas a maioria sorria, sim, pois as pessoas querem ser afetadas pela coragem de amar!
Entreguei bilhetes com a frase "Amar é um ato de coragem" , do Paulo Freire, a 3 idosos. Uma delas me agradeceu muito, declarou que era o que precisava ver naquele momento e me pediu um abraço. Um senhor disse que meu gesto deixou os amigos dele com ciúmes, porque não ganharam bilhete. As pessoas querem ser afetadas pela coragem de amar, sim!
A cada novo Abraço prolongado com os colegas, mais eu sentia crescer o potencial para amar dentro de mim. Não o amor romântico, nem aquele com interesses subjacentes, estou falando da forma mais sutil de amor que possamos contemplar com a nossa limitada intelectualidade: amor pela humanidade. Me pergunto se, caso um mendigo me pedisse um abraço, eu daria... Creio que naquele momento, com aquele estado expandido de presença e atenção, sim, eu abraçaria um mendigo todo sujo! Eu estava em uma outra qualidade de ação, eu era um corpo disposto a abraçar, a afetar pela amorosidade, não estava aberta a possibilidade de recusar afeto. Performance é risco. Mas, como não havia mendigo dentro do Shopping Barra, abracei apenas idosos desconhecidos e uma moça que comentou "Parabéns, viu, vocês estão conseguindo mexer com todo mundo!"
Comecei a notar que os seguranças me seguiam, talvez por eu estar com uma roupa toda vermelha, ao estilo hippie, com os cabelos crespos e volumosos soltos, aparentando nenhum poder de compra naquele local. Mas não era só a minha aparência que era perturbadora, a minha atitude era suspeita: eu estava parando, olhando e abraçando as pessoas. Eles me seguiram o tempo todo. Não só a mim, aos meus colegas também. Eles passavam informação via rádio, havia uma tensão no olhar deles.
Relato agora o ocorrido com uma colega, em cujo bilhete além da frase havia escrito "Haddad sim": após abraçar a outra colega, a moça entregou um bilhete para uma senhora que presenciou o ato. Quando a mulher leu os dizeres, ficou indignada e chamou dois seguranças para repreender minha colega, alegando que aquilo era um ato político. A resposta do segurança foi maravilhosa: "Senhora, o que está escrito nesse bilhete fala apenas de amor. Não há nada de errado." A granfina se retirou indignada.
Ao final do experimento, nos reunimos na praça de alimentação e trocamos nossas percepções do acontecimento. O que chegou para todos foi a real sensação de ter transformado os sentidos de quem testemunhava os Abraços.
Sai de lá com a sensação interna de um poder transformador.
Abraçar é um ato de a coragem, principalmente em tempos de eleição, com candidato que faz discurso de ódio e segregação. Amar é um ato de coragem, mesmo quando uma parte da sociedade parece estar cega, em sua bolha de egoismo e ilusão.
Sinto que sou contagiada por aquela atmosfera de afeto e me dá uma vontade de estar ali naquele afago também! Uma pontinha de inveja, de querer ter alguém para abraçar também... Sinto uma alegria pelos abraçantes, esboço um sorriso discreto, tenho vontade de cantarolar.
Em 19 de outubro de 2018, eu abracei meus 13 colegas da turma de "Lab. de interpretação: teatro, rito e performance" por mais de 1 hora. Ofertei também Abraços a pessoas desconhecidas que manifestaram interesse. Explico: Fomos ao Shopping Barra, conhecido por ser um dos mais "elitistas" de Salvador. Nosso programa performativo era simples: Caminhar pelos 3 primeiros pisos do shopping; parar e olhar fixamente, por 1 minuto, ao encontrar com algum colega da turma; correr até a pessoa e abraçá-la por 1 minuto.
Meu primeiro objeto de Abraço foi uma colega que já estava em um abraço coletivo. Então, quando corri para abraçar, me juntei ao grupo. Os transeuntes comentavam "Que Abraço gostoso!". Muitas pessoas sorriam, comentavam sobre aquele abraço. Nos dispersamos e a ação prosseguiu.
Eu parava, a uma distância significativa, fitando o colega e observando, com a visão periférica, a reação de espectador de jogo de tênis dos que estavam ao redor: pra lá, pra cá, pra lá, pra cá - o que está acontecendo aqui? - correram, abraçaram - oxe! E sorriam, na maioria das vezes. Alguns eram indiferentes. Alguns torciam o nariz. Mas a maioria sorria, sim, pois as pessoas querem ser afetadas pela coragem de amar!
Entreguei bilhetes com a frase "Amar é um ato de coragem" , do Paulo Freire, a 3 idosos. Uma delas me agradeceu muito, declarou que era o que precisava ver naquele momento e me pediu um abraço. Um senhor disse que meu gesto deixou os amigos dele com ciúmes, porque não ganharam bilhete. As pessoas querem ser afetadas pela coragem de amar, sim!
A cada novo Abraço prolongado com os colegas, mais eu sentia crescer o potencial para amar dentro de mim. Não o amor romântico, nem aquele com interesses subjacentes, estou falando da forma mais sutil de amor que possamos contemplar com a nossa limitada intelectualidade: amor pela humanidade. Me pergunto se, caso um mendigo me pedisse um abraço, eu daria... Creio que naquele momento, com aquele estado expandido de presença e atenção, sim, eu abraçaria um mendigo todo sujo! Eu estava em uma outra qualidade de ação, eu era um corpo disposto a abraçar, a afetar pela amorosidade, não estava aberta a possibilidade de recusar afeto. Performance é risco. Mas, como não havia mendigo dentro do Shopping Barra, abracei apenas idosos desconhecidos e uma moça que comentou "Parabéns, viu, vocês estão conseguindo mexer com todo mundo!"
Comecei a notar que os seguranças me seguiam, talvez por eu estar com uma roupa toda vermelha, ao estilo hippie, com os cabelos crespos e volumosos soltos, aparentando nenhum poder de compra naquele local. Mas não era só a minha aparência que era perturbadora, a minha atitude era suspeita: eu estava parando, olhando e abraçando as pessoas. Eles me seguiram o tempo todo. Não só a mim, aos meus colegas também. Eles passavam informação via rádio, havia uma tensão no olhar deles.
Relato agora o ocorrido com uma colega, em cujo bilhete além da frase havia escrito "Haddad sim": após abraçar a outra colega, a moça entregou um bilhete para uma senhora que presenciou o ato. Quando a mulher leu os dizeres, ficou indignada e chamou dois seguranças para repreender minha colega, alegando que aquilo era um ato político. A resposta do segurança foi maravilhosa: "Senhora, o que está escrito nesse bilhete fala apenas de amor. Não há nada de errado." A granfina se retirou indignada.
Ao final do experimento, nos reunimos na praça de alimentação e trocamos nossas percepções do acontecimento. O que chegou para todos foi a real sensação de ter transformado os sentidos de quem testemunhava os Abraços.
Sai de lá com a sensação interna de um poder transformador.
Abraçar é um ato de a coragem, principalmente em tempos de eleição, com candidato que faz discurso de ódio e segregação. Amar é um ato de coragem, mesmo quando uma parte da sociedade parece estar cega, em sua bolha de egoismo e ilusão.
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| Ainda na UFBA |
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| Após o experimento, no Shopping Barra. |
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Percepções de Medéia Negra: Uma tragédia atemporal.
Antes de entrar no auditório do Espaço Cultural da Barroquinha, o público recebeu a orientação para se dispor da seguinte maneira: gênero feminino à esquerda, masculino à direita. Escolhi um assento no lado indicado e fiquei imaginando qual seria o objetivo daquela formação da plateia. Seria uma questão de equilibro energético, algo metafísico? Remeti subitamente aos grupos de Santo Daime que fazem esse tipo de divisão em seus ritos espirituais.
Enquanto os espectadores entravam e se acomodavam, a trilha sonora era "Exu nas escolas" de Elza Soares, e esse aperitivo já me deixou com o estômago embrulhado, na ansiedade do que estava por vir. Eu sentia uma energia diferente no ar, como se eu estivesse prestes a ser empurrada de um precipício. Após os informes iniciais, blackout. Eu olhava na direção do palco, esperando o surgimento da nossa heroína trágica. Mas ela surgiu pela porta de acesso da plateia!
Apareceu como uma entidade, entoando sons perfeitamente afinados, trazendo nas mãos pratos nagé em chamas. Então começou sua epifania. Se apresentou, num estado corporal de ser mítico: uma deusa, uma louca, uma feiticeira? Andava lentamente, ora se arrastava, ora parecia flutuar. O vestido todo preto, com cauda longa, e o corpete de couro, a maquiagem preta e bronze, e uma pintura em branco que parecia um dos dispositivos de tortura facial usado na escravidão no Brasil, conferiam à figura da Medéia Negra um aspecto poderoso de magia, mistério, dor e força.
Gritos horrendos saiam de seu corpo, iluminavam a cena e arrepiavam meus poros. Posicionada próximo à plateia feminina, Medéia confidenciava suas estórias: a tragédia da princesa grega, que não mede suas ações em prol do homem amado; e a da mulher negra, periférica, lésbica, trans, todas que tiveram uma trajetória marcada por subjugação, violência, estupro, morte. Assim, Medéia sangrou por entre as pernas, retirando de seu ventre memórias de dor, se curando de abusos e feridas ancestrais, em nome da própria atriz Márcia Limma.
Cantando todo tipo de violência contra as mulheres, todo sofrimento causado pelo sistema econômico vigente, a Medéia ébria lamentava, praguejava, se justificava, chorava, babava, desdenhava dos homens em sua macroestrutura, o patriarcado. Quase toda sua relação com o público masculino tinha um tom de deboche, mágoa, ira e ameaça. "Marielle está aí?", ela perguntou a um rapaz.
A Medéia abandonada por Jasão, depois de tantos sacrifícios para ajudá-lo em suas ambições, encontra na morte dos seus próprios filhos a forma mais eficiente de arrancar aquele homem ingrato e desleal de dentro de si. A Medéia Negra, mãe e filha de todas nós, que sofre as dores de todas as mulheres, convoca o público feminino. "Levanta, mulher!" - bradou Medéia inúmeras vezes, até que uma se levantou, encorajando a todas para participarmos dessa cena final: Mulheres de pé, lideradas por uma Medéia Negra que bradava o enfrentamento e o fim do patriarcado.
A atriz Márcia Limma, uma mulher potente, com um trabalho indefectível de voz e corpo, deu vida a uma personagem clássica, - repaginada e atualizada - emaranhada com as questões que perpassam pela sua própria vivência. A polifonia do texto pode até confundir o espectador, pois as múltiplas faces de Medéia trazem diversos lugares de fala, abordando também a importância da ocupação dos espaços de visibilidade e poder por esses outros corpos.
Os gritos da Medéia Negra perfuraram meus tímpanos e ecoaram em minhas entranhas... Agora estou aqui, com os meus próprios gritos presos na garganta. Quero chorar, mas prefiro escrever.
(MEDEIA NEGRA é uma peça teatral produzida pelo grupo VilaVox, com direção de Tânia Farias.)
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| https://www.vilavox.com.br/medeia-negra |
SIOMARA DIAS
- Formação em Letras Vernáculas com Inglês e estudante de Artes Cênicas, pelo Bacharelado Interdisciplinar. Escreve poemas e outros devaneios em seu blog InExpiração. Mãe de uma menina de 2 anos e meio, concilia suas demandas artísticas e acadêmicas com as inúmeras pausas para conversas sobre palhaços e animais .
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
MEU GRITO, MEU DESABAFO
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah
Eu grito sim!!!
Não sei ao certo por que grito,
Só sei que sinto um misto
De confusão e desespero
De fantasia e solidão.
Aaaaaaaaah
Mas eu preciso organizar as ideias, para ser bem vista
Preciso criar algo novo, porque sou artista
E produzir superficialidades , porque o mundo é capitalista
Preciso alimentar o corpo, porque sou mãe
Preciso desaguar o pranto, porque sou mulher
E o fardo é pesado, para quem decide ser gauche na vida, tendo uma fenda entre as pernas!
Preciso respirar, pois só assim posso conversar com Deus.
Aaaaaaaaah
E o mundo não me concede o tempo necessário,
E como diria um poeta visionário,
Sendo o mundo um moinho,
Não deixa que eu desfrute das belezas do meu caminho
O mundo me esmaga com seu olhar de reprovação,
De maledicência, de maldição
O mundo abre a boca e os olhos para me dizer não,
Ele grita na minha cara
que este corpo preto e gordo não vale nada,
que esta mente de mulher letrada
Só entende de piegas alegorias e reclamação.
O mundo só enxerga quem tem a pele clara e serve aos deleites de quem aperta os botões da engrenagem atual.
Aaaaaaaaah
Mas o que importa o mundo lá fora?
Se aqui, dentro de mim, pulsa tão viva a voz ancestral!
Eu sinto tanta força e potência em meu corpo, em meu ventre, em meus fluidos...
Saliva, suor, sangue, gozo...
Minhas águas alcalinas pedem passagem,
Depois que Oxum me convocou para secar...
Ela me perguntou:
Onde está seu poder, mulher? É aí que tens de secar!
Então decidi escrever
E as palavras são cachoeira
E a minha boca é a nascente
E esse corpo sabe se banhar:
Eu existo.
Eu resisto!
E trago em minha face
A mesma arte que cantou Bethânia
Contudo, não me contento ao sorrir,
Quero gargalhar estridente, sem melindre ou infâmia,
Na cara grande e dura desse mundo cruel
Cada vez que ele disser "Não!" para mim.
Eu grito sim!!!
Não sei ao certo por que grito,
Só sei que sinto um misto
De confusão e desespero
De fantasia e solidão.
Aaaaaaaaah
Mas eu preciso organizar as ideias, para ser bem vista
Preciso criar algo novo, porque sou artista
E produzir superficialidades , porque o mundo é capitalista
Preciso alimentar o corpo, porque sou mãe
Preciso desaguar o pranto, porque sou mulher
E o fardo é pesado, para quem decide ser gauche na vida, tendo uma fenda entre as pernas!
Preciso respirar, pois só assim posso conversar com Deus.
Aaaaaaaaah
E o mundo não me concede o tempo necessário,
E como diria um poeta visionário,
Sendo o mundo um moinho,
Não deixa que eu desfrute das belezas do meu caminho
O mundo me esmaga com seu olhar de reprovação,
De maledicência, de maldição
O mundo abre a boca e os olhos para me dizer não,
Ele grita na minha cara
que este corpo preto e gordo não vale nada,
que esta mente de mulher letrada
Só entende de piegas alegorias e reclamação.
O mundo só enxerga quem tem a pele clara e serve aos deleites de quem aperta os botões da engrenagem atual.
Aaaaaaaaah
Mas o que importa o mundo lá fora?
Se aqui, dentro de mim, pulsa tão viva a voz ancestral!
Eu sinto tanta força e potência em meu corpo, em meu ventre, em meus fluidos...
Saliva, suor, sangue, gozo...
Minhas águas alcalinas pedem passagem,
Depois que Oxum me convocou para secar...
Ela me perguntou:
Onde está seu poder, mulher? É aí que tens de secar!
Então decidi escrever
E as palavras são cachoeira
E a minha boca é a nascente
E esse corpo sabe se banhar:
Eu existo.
Eu resisto!
E trago em minha face
A mesma arte que cantou Bethânia
Contudo, não me contento ao sorrir,
Quero gargalhar estridente, sem melindre ou infâmia,
Na cara grande e dura desse mundo cruel
Cada vez que ele disser "Não!" para mim.
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| Marielle Franco, presente! |
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
13 pras 12...
Ávida, a vida lá fora habita.
Serena, ensolarada, distante de mim.
Aqui, a vida insiste, persiste.
Escurecida, escusa, perdida
Em conceitos e teorias
Sobre o viver.
Serena, ensolarada, distante de mim.
Aqui, a vida insiste, persiste.
Escurecida, escusa, perdida
Em conceitos e teorias
Sobre o viver.
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