sexta-feira, 27 de maio de 2016

ESTUPRADAS

Quando temos nossa voz calada
Quando temos nosso ponto de vista menosprezado
Sem respeito, sem ensejo
Sem valor, sem igualdade.

Quando temos nosso corpo objetificado
Quando temos nosso ir-e-vir cerceado
Sem pudor, sem defesa
Sem chance, sem liberdade.

Quando temos nosso templo invadido
Quando temos nossa carne dilacerada
Sem consentimento, sem desejo
Sem escrúpulo, sem humanidade.

Quando temos nossa fé nos homens destroçada
É quando já chegamos no limite
Corpo, mente e alma
Fêmeas,
Cansadas de serem estupradas!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

MINHA REVOLUÇÃO PARTICULAR

Há 7 meses eu recebera a notícia que revolucionou a minha vida: estava grávida. Não era segredo para ninguém que eu nunca quis ser mãe. Isso era um fato. Um bebê jamais fez parte dos meus planos, pois não se encaixaria na rotina que eu tinha, interferiria na liberdade que eu amava, no meu estilo individualista e um tanto desregrado de ser. Não abordarei as circunstâncias da concepção ''acidental'' - prefiro acreditar na casualidade e não em acidente - nem falarei do caráter duvidoso dos métodos contraceptivos. Isso é de foro íntimo. O que quero expressar nesse texto é o quanto mudei radicalmente desde que comecei a gerar uma vida.

Nos dois primeiros meses de gravidez, comecei a mudar velhos hábitos, a praticar uma rotina mais saudável, mas eu ainda não sabia que estava gestante. Quando soube daquela condição especial, decidi levar mais a sério ainda a onda de reformas interiores. Mas não foi só isso que mudou.

Tive de refazer todos os meus planos profissionais e acadêmicos. Tive de abrir mão da primeira oportunidade de trabalho teatral, tive de adiar a entrada na área de concentração em Teatro, tive de abandonar algumas atividades artísticas. Tive de pausar, por tempo indeterminado, tudo o que eu tinha estruturado em minha mente para a minha vida.

Agora tudo o que penso é pelo bebê que gerei. Pesquiso apenas conteúdos relacionados à maternidade: e é muita coisa! Questões outras que me interessavam já não ocupam meu tempo - nem tenho esse tempo!

Durante a gestação, meus sentimentos atingiram picos por mim desconhecidos. Sorri e chorei por motivos nunca antes experimentados, os mais banais. Emoções à flor da pele, ora me senti um bebê gerando outro, ora me senti uma anciã cansada da vida. Contudo, vivi os melhores 9 meses de todos esses 29 anos. Dormia e acordava num estado de plenitude - apesar das preocupações corriqueiras - e satisfação pela existência de uma outra vida dentro de mim. Os hormônios funcionaram perfeitamente e eu me senti muito mais feliz, linda, em paz.

Quando pari e tive o primeiro contato com meu bebê, conheci o amor mais puro e mais forte que um ser humano pode vislumbrar: chorei, sorri, griteeeeeeeeeei ''Ela é linda! Meu amor! Minha filha! Maravilha de Deus!'' E conheci também meu lado mais mamífera, mais animal, sem vergonhas, pudores, etiquetas: virei bicho fêmea que lambe a cria.

E desde então eu sou outra: outra pessoa, outra existência, outra coisa, outra demanda.
Hoje meu bebê completa 1 mês de nascida. E que mês intenso! Aprendizados contínuos e sucessivos para ela e, com certeza, para mim! Aprendi as coisas básicas, cuidados, detalhes, minúcias: tudo tão pequeno e frágil. Aprendi as coisas árduas: resistir ao sono, à fome, ao cansaço... ao desespero! Estou internalizando, assimilando, todo esse universo em expansão que se abriu a partir do meu ventre.

A velha Siomara ainda está aqui, escusa, inquieta, louca para sair dançando e cantando da jaula improvisada - e provisória! Ela crê que poderá voltar algum dia. Ela espera. Mas, por enquanto, é essa Siomara Mãe que está comandando: não sei como serão os próximos meses, nem consigo imaginar como será amanhã, mas suspiro de alívio a cada vez que minha filha pega no sono e me deixa cochilar por alguns minutos! Nesse exato momento, aproveito a brecha que ela me dá e faço uso desse instrumento que amo: a escrita.

Essa foi a minha grande revolução particular: assumir, aceitar, acolher, com o maior amor do mundo, essa oportunidade que a natureza me deu de amadurecer e dar um significado mais nobre à minha vida. Não nasci para ser mãe, mas há um mês nasceu uma mãe devota e cheia de amor para dar.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

E assim Sophia nasceu... [Relato de Parto]

E assim Sophia nasceu...

Na manhã de 19 de abril, acordei com leves cólicas e comentei com minha irmã-doula, Samara. Ela me tranquilizou, avisando que poderia ser apenas o começo dos pródromos e que poderia levar dias ou até mais uma semana. Tentei, então, relaxar. Cochilei e acordei antes do meio-dia com uma cólica ainda mais forte. Senti que estava entrando em trabalho de parto, mas não fiz alarme. Fui para a bola de pilates, fiquei me movimentando para segurar as cólicas que vinham a cada 20 ou 30 minutos.

As horas foram passando e as cólicas foram ficando mais intensas. Naquela noite eu não consegui dormir. As contrações vinham a cada 10 minutos, durando cerca de 40 segundos. Minha irmã-doula me ofereceu a bolsa de água quente para aliviar. Bebi chá de camomila. Fiquei em posição semi-deitada e, a cada contração, eu me contorcia, tensionava outras partes do corpo, como forma de ''distribuir'' a dor. Samara me ofereceu outras terapias - massagem, ficar de cócoras, banho de água morna - mas eu só queria ficar ali naquela posição, sem interferências: eu sabia que aquela dor teria um fim maravilhoso!

Meu companheiro, Renato, também esteve presente o tempo todo, o que me tranquilizou emocionalmente e me deu mais forças para permanecer firme na minha escolha. Amanheceu, 20 de abril, e as contrações agora vinham a cada 8 minutos e a duração variava entre 30 segundos até 1 minuto. Renato oferecia massagem, mas isso me irritava e dava mais dor. Já não quis comer nada, tudo me enjoava. Bebi muita água. As horas corriam, mas para mim era uma eternidade e a dúvida se aquilo era trabalho de parto latente ou pródromos me deixava apreensiva e na dúvida se eu conseguiria suportar dores mais fortes.

Às 16h, eu já estava no ápice da dor e, a cada contração, eu dizia que não ia aguentar, que não queria mais parir, que iria a um hospital, que queria cesárea! Nesse momento, o papel da doula fez toda a diferença: Samara me fazia refletir sobre o motivo da minha escolha e a tranquilidade dela me dava mais força para continuar. Pedi para ir à casa de parto, pois sentia que estava perto de Sophia nascer. Nosso amigo Lalado gentilmente nos levou até o local. Durante o percurso, as dores pareciam mais intensas, eu achava que desmaiaria a qualquer momento. Mas segurei a onda - as ondas!

Chegando na Mansão do Caminho, esperamos bastante na recepção para que eu fosse examinada e tivesse resposta sobre o avanço do trabalho de parto. Fui atendida por uma enfermeira obstetra de mesmo nome que eu. Ela avaliou minhas contrações e julgou que eu não estaria em fase ativa de TP, porque, segundo ela, a minha ''barriga não estava ficando toda dura''. Ela não quis fazer exame de toque, para não me causar mais dor e incômodo. Ela recomendou que eu voltasse para casa, tomasse um banho e tentasse descansar. (Como??? Eu já tinha passado a noite anteior em claro de tanta dor!!!) Minha irmã ainda conversou comigo que eu deveria insistir que ela fizesse o toque, porque as contrações não são necessariamente iguais em todas as mulheres. Mas eu fiquei com medo de sentir mais dor e preferi confiar na palavra da profissional.

Enfim, voltamos para casa. Fui direto para minha cama, para tentar descansar. Não quis comer nem beber nada. Estava exausta. Em determinado momento, veio a próxima contração e uma vontade incontrolável de empurrar, fazer força, me invadiu. E eu comecei a empurrar. Eu gritava muito. Renato veio me auxiliar, me deu um pano para morder, fechou toda a janela do quarto, tentou me deixar mais a vontade. Eu sentia que Sophia estava querendo nascer naquele momento. Outra contração e eu forcei mais: senti o tão falado círculo de fogo! Sim, é de fato uma queimação! O colo estava totalmente dilatado! Eu dizia ''Sophia vai nascer aqui!''. Samara, que tinha saído com Lalado para comprar uma piscininha plástica para tentar aliviar minha dor, quando chegou e verificou a situação me mandou ficar de quatro apoios para eu segurar um pouco mais. Minha natureza pedia para expulsar e Samara me trazia para a realidade, avisando que o ambiente não tinha sido preparado para receber minha filha, que eu precisava esperar. Eu estava na partolândia e dizia ''Sophia quer nascer aqui e agora!''. Pedi um espelho para ver minha situação, quando posicionei, pude ver que o colo estava todo dilatado e ela estava ainda com a bolsa intacta.

Renato chamou um taxi - a essa altura, chamar Lalado mais uma vez seria muito desgastante para ele e não daria tempo. Para descer as escadas sem permitir que minha filha nascesse ali foi o maior sacrifício! Entrei no taxi e permaneci o percurso todo de 4 apoios - batendo a cabeça na porta, a cada curva desesperada que o taxista dava! (risos) - gritando e fazendo um esforço anti-fisiológico para manter minha filha dentro de mim por mais algum tempo.

Chegando à casa de parto, minha irmã procurou me posicionar de 4 apoios na recepção e logo a funcionária conseguiu me alojar no consultório de admissão onde eu tinha sido examinada mais cedo. Não havia quartos disponíveis, pois a casa estava lotada. Mas eu não me importei. Eu só queria colocar Sophia no mundo e cuidar dela com o mínimo de intervenções médicas possível!

Deitei na maca, coloquei o pano na boca, segurei as mãos de Renato e deixei fluir. Siomara, a enfermeira obstetra que tinha me avaliado mais cedo, me chamou de sortuda porque ela jurava que nunca viu uma mulher com contrações ''não eficazes'' evoluir para parto ativo tão rápido. Em 8 minutos na posição semi-deitada sobre a maca, veio a primeira contração e eu forcei. Na segunda, a cabeça de Sophia saiu e logo em seguida o corpinho! Simples assim!!! Foi a sensação mais extasiante da minha vida! Foi o ápice de toda a felicidade que eu já tinha experienciado antes. A obstetriz apenas limpou o excesso de vernix da minha menina e a colocou de imediato sobre meu abdomen. Eu entrei em estado de euforia ao olhar minha cria pela primeira vez: chorei, sorri, agradeci, gritei... Quis trazê-la para meu peito, mas a placenta ainda não tinha saído e nós deixamos o cordão umbilical parar de pulsar para poder cortar. O pai dela teve a oportunidade de cortar o cordão.

Quando eu quis amamentar logo em seguida, fui alertada pela obstetriz de que eu não poderia amamentar antes de fazer o exame de sorologia. Eu questionei, pois já tinha feito todos os exames há menos de 1 mês e ela tinha verificado. Então ouvi a primeira menção da palavra ''protocolo do Ministério da Saúde''. Uma auxiliar veio, portanto, coletar meu sangue para fazer análise imediata. Outra auxiliar veio com um frasco de iodo povidona e uma seringa com vitamina k para aplicar em Sophia, sem ao menos me dizer o que era aquilo. Eu contestei, disse que não queria aqueles procedimentos, que não tinha sido avisada sobre a obrigatoriedade dessas intervenções naquela instituição, que eu tinha feito um plano de parto e essas decisões já tinham sido estudadas por mim, pelo pai e pela doula. A auxiliar não gostou do meu comportamento. Veio outra e pegou meu braço, perguntei o que era aquilo e ela explicou que era para evitar hemorragia em mim. Aplicou e pronto. Deixei, né!

Naquela hora, essas abordagens que tornam a parturiente um objeto passivo não me incomodaram tanto, porque eu ainda estava sob efeito do coquetel de hormônios natural, que o meu corpo teve a oportunidade de produzir, pois eu dei o tempo que ele precisava para isso... Era tanta ocitocina e endorfina, tanto amor pela minha pequena Sophia... Pediram para pegá-la, depois de alguns minutos no meu braço, para medir, pesar e outros ''protocolos''. Só deixei e confiei porque Renato estava junto e Samara também estava por lá.

Desci sozinha da maca, com ajuda da enfermeira, minha xará. Fui levada a um quarto onde já havia uma puérpera com seu RN. A casa estava cheia e eu precisava dividir quarto. Tomei banho sozinha, já me sentia 100%. As dores simplesmente desapareceram totalmente, senti novamente a facilidade de me movimentar sem a barriga. Estava em êxtase e queria mais do que tudo terminar o banho e pegar minha filha no colo. E quando segurei Sophia novamente, fui inundada mais uma vez por uma tsunami de Amor!

Mais tarde, uma outra obstetriz veio conversar comigo e Renato sobre a aplicação da vitamina K e do colírio em Sophia. Nós protestamos porque a vitamina K tem a possibilidade de ser administrada via oral, sem precisar furar o corpinho do bebê, já cansado do parto. E o colírio só é necessário em casos onde a mãe tem alguma doença que possa ter infectado a visão do bebê, o que não é meu caso. Tive o cuidado de fazer TODOS os exames possíveis durante meu pré-natal e no último mês da gestação, justamente para evitar qualquer sofrimento à minha filha. Mas ela explicou que ali era uma instituição que trabalha em parceria com o SUS e, portanto, deve seguir alguns ''protocolos'' do Ministério da Saúde. Ela conversou com muita paciência e disse ainda que eu e Sophia não teríamos alta, e pior, eu poderia ser processada por negar um ''direito do bebê'' - algo que é extremamente contestável! Enfim, disse que ela mesma poderia responder judicialmente se algo acontecesse com minha filha, devido à omissão dela enquanto profissional. Acabei cedendo a tanta pressão psicológica e vi minha filha ser furada - sem necessidade - e dar o primeiro choro de dor da vida dela. Depois vi minha filha ter os olhinhos inundados de iodo povidona - sem necessidade - e ficar sem poder enxergar direito.

Quando eu penso que poderia ter parido em casa, sinto uma pontinha de arrependimento por não ter me organizado e corrido atrás disso. Seria uma opção dispendiosa, em torno de 6 a 8 mil reais - o mesmo preço médio de uma cesárea - mas certamente seria muito mais tranquilo e prazeroso, sem violência e desconforto algum. Eu já tinha passado 33 horas de trabalho de parto todo em casa, na companhia de Renato e Samara, usando apenas métodos naturais de alívio da dor. Senti a fase ativa, o ''círculo de fogo'', no conforto e na privacidade da minha cama. Se o ambiente estivesse preparado, eu pariria lindamente em casa.

Não vou relatar o período de avaliação – mais de 24 h - que passei na casa de parto, pois não quero comprar briga, nem parecer ingrata. Eu agradeço a Deus, por ter permitido que tudo fluisse sem intercorrência alguma, e à equipe que procurou me atender da melhor maneira que pode. Fui bem acolhida, percebi a dedicação das funcionárias em improvisar uma cama para mim, e arranjar algum assento para meu acompanhante. A equipe da Mansão é muito atenciosa e trabalha por amor ao serviço, apesar de ainda faltar só um pouco mais de trato para se chamar verdadeiramente de assistência humanizada: avisar à paciente sobre os procedimentos que serão administrados nela e no bebê, e perguntar se ela permite, seria um bom começo. E como obedecem aos ''protocolos do Ministério da Saúde'', elas deveriam ter me avisado sobre isso no dia em que fui fazer análise de perfil, quando estava com 37 semanas.

Concluindo, a casa de parto da Mansão do Caminho é a única em Salvador com essa possibilidade de respeito à fisiologia do parto, mas parece que o Ministério da Saúde impõe algumas práticas que devem ser discutidas. Me assusta como o ''sistema'' se apodera do corpo do RN, impõe direitos e deveres e não aceita contestação. Nós, pessoas humanas, mulheres e homens, mães e pais, não temos real liberdade de escolher como queremos parir, como queremos que nosso bebê seja tratado ao nascer. E, ao contestar os ''protocolos'' - que em sua maioria não são baseados em evidências - somos chamadas loucas, somos ameaçadas de perder a guarda do ser que botamos no mundo com tanta dor e tanto amor, somos pressionadas a seguir as ordens ''supremas'', como bois e vacas de abate.

Mas, apesar de tudo ter acontecido como eu NÃO PLANEJEI, agradeço à misericórdia divina por tudo ter acontecido na força do amor: Não tive laceração nem sofri episiotomia, portanto não levei ponto algum; não sofri manobras absurdas e retrógradas para acelerar a saída da minha filha; não fui obrigada a receber hormônio sintético para acelerar as contrações; não fui mandada calar a boca; pude gritar – apesar de ter preferido usar o pano na boca; pude escolher a posição que quis – e pasmem, quis ficar na maca mesmo; pude ter a companhia de duas pessoas de minha total confiança o tempo todo; meu bebê teve seu estoque de ferro assegurado pelo clampeamento tardio do cordão umbilical; minha bebê não foi lavada por ninguém, não foi aspirada nem sondada; fui bem acolhida e assistida, apesar das imperfeições meramente humanas e institucionais já pontuadas. Enfim, estamos bem e saudáveis. Eu agradeço.



domingo, 8 de maio de 2016

MEU DESEJO PARA O DIA DAS MÃES


Não dou a mínima para essas datas comemorativas comerciais.
Porque, sim, para além do clichê, dia das mães é todo dia mesmo!
Eu até entro no clima socialmente, parabenizo, - e hoje agradeço também! - mas
internamente sinto que é apenas uma banal tradição capitalista.

Quando eu era criança, achava a data divertida, pois sempre tinha algum artesanato produzido por mim na escola, para presentear mainha! Eu e minha irmã invadíamos sua cama com cartinhas e um café-da-manhã infantil. E ela adorava - ou, pelo menos, parecia adorar!
Mas minhas demonstrações de afeto nunca foram presas a datas. Eu sempre tinha um abraço, um ''eu te amo'', prontos para serem colocados para fora de mim, independente da ocasião: painho e mainha sempre foram a parte mais preciosa do meu ser!

Para não parecer hipócrita, a partir da adolescência, tive muitos arranca-rabos com minha mãe, por sermos muito diferentes em alguns aspectos, por excesso de ciúme da minha parte, por querer para ela uma vida perfeita, sem dores, sem lágrimas... Eu brigava, porque essa era minha linguagem!
Mas ela, de uma maneira mágica - que só agora posso compreender -,  nunca virou as costas para mim! Mesmo depois de muitos impropérios, de eu ter sido uma adolescente - e uma jovem adulta - extremamente não subserviente, com atitudes que denotavam ingratidão - apesar de internamente eu sempre me arrepender das coisas que eu fazia-, minha mãe sempre estava lá quando eu precisava, sem jogar na minha cara o quanto eu ainda dependia daquele porto seguro, sem exigir de mim nada além de ser feliz!

E hoje eu entendo o que é essa força poderosa chamada maternidade!
Agora tudo o que vivi até então faz sentido.
A minha mãe vive em mim e eu vivo em minha filha!
Entendo toda a dedicação, a abdicação de suas próprias vontades,
o ''sacrifício'', a energia aparentemente infinita, a ''incansável''
mulher que parece viver para servir...
Só agora compreendo, respeito, reverencio.

Certamente não serei uma mãe como a minha é.
Mas a força, o amor, a capacidade de me doar pela minha filha existe em mim!

Então, meu desejo para o dia das mães é me perdoar por não ter sido uma filha digna.
Desejo também perdoar a minha mãe pelas pequenas falhas que ela mesma já pontuou.
Hoje também desejo ter muito mais leite e energia para acordar a cada 2 horas e
alimentar minha pequena Sophia. =D
Desejo que futuramente minha filha seja livre para se expressar, independente de data, e só expresse o que for verdadeiro em seu coração. Que ela possa me dizer onde estou errando e que eu tenha  humildade para retificar as minhas incoerências.

Desejo que mães e filh@s façam as pazes hoje, amanhã, qualquer dia, e que o amor prevaleça!