sábado, 31 de dezembro de 2016

2016: O ano do caos em mim, do amor e da solidão.

Janeiro: "Ando tão à flor da pele..."
   - 5 meses de gestação, turbilhão de sentimentos contraditórios.
   - solidão, incertezas, INTUIÇÃO gritando que eu enfrentaria grandes turbulências em breve.
   - APRENDI que a gravidez havia mudado TUDO e que eu enfrentaria tudo sozinha mesmo.

Fevereiro: "Na bruma leve das paixões que vem de dentro..."
   - Enfrentei altos níveis de stress, principalmente por falta de companhia.
   - Encarei muita sujeira, altas faxinas, SOZINHA, devido à reforma do quarto de Sophia.
   - Pensei que teria ajuda para pintar o quartinho, mas pintei sozinha, durante o carnaval.
   - Descobri que seria tia esse ano!

Março: "No coração, os meus parentes, os entes e os presentes que a vida me dá..."
   - ansiedade batendo cada vez mais forte, ao se aproximar a DPP.
   - Chá de Fraldas organizado pelas MELHORES AMIGAS do universo, só agradeço!
   - tentei descansar ao máximo, dormir, assistir todas as séries que eu pudesse...
   - mas encarei mais stress, com carpinteiro desonesto que fez merda nos móveis que encomendei.

Abril: ''É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar...''
  - 33 horas de trabalho de parto: sem analgesia, sem anestesia, apenas eu e meu corpo em conexão      com o cosmos.
  - EU PARI. E essa foi a ação mais forte, mais inteira, mais perfeita que realizei na vida. SOZINHA!
  - Me apaixonei de imediato pela minha filha.
  - Vivi os primeiros dias de loucura do puerpério. Só não surtei porque a natureza faz tudo perfeito e eu ainda estava sob efeito dos hormônios.

Maio: "Eu preciso de alguém, sem o qual eu passe mal...''
  - me senti sozinha muitas noites e dias. Apenas eu e minha Sophia.
  - descobri que não seria possível viver algo como ''família tradicional'', Sophia ganharia uma irmã dentro de 4 meses. Minhas estruturas desmoronaram.
  - me arrependi de ter experimentado abrir uma relação de 4 anos que era sólida.

Junho:"AAAAI amei demais e hoje já não sei se sou capaz de ter alguém no meu coração...''
  - primeiro São João sem dançar forró, sem sair, sem diversão.
  - primeiro São João com minha pequena, descobrindo novas habilidades, risonha...
 
Julho: "Eu quero uma casa no campo..."
  - Tempo de recolhimento.
  - Passei mais tempo com meus pais.

Agosto: ''Socorro alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha...''
  - 4 meses de maternidade, na corda bamba para não surtar.
  - solidão sempre me acompanhando.
  - ansiedade, stress, medo, raiva... e a culpa, por estar passando tudo isso no leite da minha filha!
BARRIL! Precisava de ajuda psicológica, mas não rolou.
 
Setembro: ''Alguma coisa está fora da ordem...''
   - SOLIDÃO!!!
   - A chegada da irmã de Sophia. Afastamento brusco do pai dela.
   - A chegada de Tainá, antes da DPP... Mas deu tudo certo, para aliviar meu coração de tia.

Outubro: ''Comer de tudo o que for bem natural...''
   - Mudanças internas! Hora de cuidar mais de mim.
   - ACEITA QUE DÓI MENOS.
 
Novembro: ''Meu corpo é terra em que nascem corais, sargaços e líquens...''
   - 30 anos! Piquenique na praça! =)
   - cortei a juba, depois de 4 anos sem cortar.
   - comecei a sair mais com Sophia.

Dezembro: ''Eu quero amor, eu quero tudo o que for bem colorido, tudo o que for leve...''
   - consulta com iridologista: me disse tudo o que eu já sabia sobre mim. Mas provou que, pelos olhos, realmente pode-se desnudar a alma de alguém. Saúde física ta massa! Só falta consertar a mente!
   - cantei de gaiata no sarau da FUSART (quem sabe em 2017 eu não volte, hein?)
   - dancei um pouquinho de zouk na confra da galera de Marcelo. E Sophia foi cmg!
   - Dei uns beijos bons por aí! (Porque sou humana, sou mulher, antes de ser mãe!) kkkkk

2016 Foi divisor de águas na minha humilde existência humana. Descobri que não posso contar com homem. Descobri que a força, o afeto, a companhia, a compreensão, a sororidade vem das mulheres que me cercam, sim! Descobri que ser mulher é viver se protegendo sempre, é não abrir a guarda nunca, é confiar desconfiando! Agradeço à minha mãe por ser essa guerreira tão presente nos meus dias, nas minhas crises, me dando suporte, quando estou beirando a loucura. Esse ano eu pirei, acho que serei, de agora em diante, uma pessoa pirada! Mas não negligencio da minha filha jamais. Há muito desespero em mim, mas há AMOR. HÁ Amor suficiente para me manter viva. Que venha 2017, com mais positividade, aprendizados, e AMOR.

Siomara - janeiro 2016
Sophia e Siomara - dezembro 2016

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

RELEITURA DE UM SAMBA MISÓGINO

Se essa mulher - maravilhosa!
Fosse minha parceira
Eu entrava com ela
Na roda de samba

Cortejava seus gestos
Me orgulhava de seus passos
Saudava seu jeito
Altivo de majestade

Fazia questão de rebolar
Colado ao corpo dela
E os marmanjos olhando
Querendo ser eu

Se essa mulher - poderosa!
Fosse minha parceira
Dava uma noite de gozo
Que ela gritava "vem mais"!

Vem mais, oh, meu amor
Eu mereço
Tudo de delicioso
Que você tiver
Para me dar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ANTROPOFAGIAR

Porque com a boca se come
Sem mastigar também
E com o sexo se alimenta
Sem transar também

E num encontro
De bocas e sexos
Bocas e bocas
Sexos e sexos
A forma humana
Já não tem tanto valor

Então são mãos e braços
Coxas, pele, barrigas
Fazendo o compasso
Da canção sussurrante
De corpos que dançam o prazer

É de dar água na boca
A sede de ter o outro dentro de você
É de salivar desejos
O gozo do outro partindo de você 


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ELE DIZ

Em mulher não se bate
Nem com uma flor
- Ele diz.

Poderia ter saído daquela
Relação abusiva
Mas, não, apanhou porque quis.
- Vadia! - ele diz.

Abriu as pernas, engravidou
Agora quer abortar.
- Assassina, meretriz! - ele diz.

Pariu e está solteira.
Se vire para criar sozinha
- Infeliz! - ele diz.

Ser mulher é sobreviver
Se esquivando dos tapas
Que emanam dos ecos
Do que ELE diz.