sábado, 7 de março de 2015

DONA DE MIM

Mainha e painho sempre foram muito libertadores:
- Filha, nada importa mais do que sua independência.
Eles se preocuparam em me preparar para não precisar dos homens
Para não precisar do mundo, para não precisar de ninguém.

E fui crescendo, um tanto egoísta e individualista,
Me isolando em meu mundo paralelo de segurança psicológica.
Demorei um tanto para me desprender desses hábitos eremitas.
Precisei de intervenções terapêuticas para aprender a ''me jogar na vida''.

Hoje me considero dona de mim.
Ainda guardo os conselhos dos meus pais,
pois eles, mais do que eu mesma até,
só querem o meu bem!
Mas sou dona das minhas escolhas,
dos meus movimentos,
dos meus desejos,
do meu corpo.

E vivo o que pede o exato momento do agora,
Sem o crivo pesado do medo
sobre o que ''os outros vão pensar''.

Entretanto, faço parte de uma comunidade,
onde uma ação isolada repercute em todos
e não passa despercebida.
E por ser tão desapegada aos conceitos tradicionais,
começo a me sentir pressionada e perseguida.

Mas esse sentimento não me tortura ou boicota.
Pelo contrário, ele me convida
a ousar um pouco mais e sair cada vez mais da
caixa estabelecida.

Vou transitando, andante libertária
Não pretendo possuir nada além das minhas asas intactas.
Vou andando, transante imaginária
Não domino qualquer forma de vida que passa em meu jardim.
Tudo o que tenho é meu verso.
Sei apenas que sou dona de mim.
Siomara Coelho - Praia de Buracão - Rio Vermelho, Salvador - BA. Foto por Renato Costa.


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