sábado, 16 de maio de 2015

POEMA COLETIVO EM REDE III - Experimentos poéticos

COM OS PÉS NO CHÃO

Caminho. Por onde? Nem sei dizer ao certo
Passos firmes, sigo reto
Me entrego à emoção, mantendo os pensamentos abertos
Mas o que importa?
Loucuras da incerteza
Ou a hipocrisia da certeza?
Basta.

Com os pés no chão
Entre o sim e o não.
Cheiros...
Desejo e emoção!
E na vida sempre temos receios
Ou com alguma mágoa no peito.

Com os pés no chão
Me coloco diante de ti
Com olhos varejados em lágrimas...
Te mostro aberto o meu coração!
Meu rumo vai em busca de toda a imensidão
Tendo como combustível o AMOR!

E simplesmente sigo...
Sigo em te amar, em desejos pulsantes
Sigo em me amar, em liberdade constante.
Pairo no ar, e vivo todo instante.
Com os pés no chão.

Mas a mente distante
Vagueia incansavelmente pelas lembranças vividas,
Pelos caminhos desejados mas não percorridos.
Estou sem chão...
Flutuo em mim.

Navego em ilusões, fruto do viver abstrato da incoerência...
E enfim me pego assim, apenas com os pés no chão...
Ludibriado por lembranças mortas e ausente de pés na razão.
Mas com o coração em órbita...
Vivendo, vivendo...
Vou caminhar, sim!
E sempre com os pés no chão, sem me iludir.



24 AUTORES: Yan Couto, Milena Rhumas, Elienai do Santos, Jackson Teixeira, Nessí Zoukizomba, Laís Prado, Juliana Coutinho, Rodrigo Maionese, Cris Lima, Isaac Ribeiro, Joedson Rosa, Vinícius Sena, Siomara Coelho, Josivan Vieira, Nailson Filho, Melissa Santos, Eliete Silva, Natali Burí, Milena Aires, Ricardo Amorim, Vanessa Machado, Samara Coelho, Juliana Oliveira e Marcus Paulo.

POEMA COLETIVO EM REDE II

I - DAS PALAVRAS ALEATÓRIAS QUE VEM À MENTE,
      APARENTEMENTE SEM SIGNIFICÂNCIA.
II - DA TESSITURA DE UMA NARRATIVA SEM CONECTIVOS.


AMOR
Sinto
VIVER
Sempre
SAUDADE
Vem
CHEIRO
Passa
PLENITUDE
Invade
RECIPROCIDADE
Abraça.

SAUDADES
Sim!
CHUVA
Cai
DOIDEIRA
Minha
MAGIA
Madrugada.

SAUDADE
Mais
AMOR
Quero
SEXO
Desejo.

SONO
Não
GRAVAR
Música
CHUVA
Mais
ZOUK
Danço
HARMONIA
Caótica
AUTOCAD
Desenho
VIDA
Segue.



sexta-feira, 15 de maio de 2015

POEMA COLETIVO EM REDE

I - DAS PALAVRAS ALEATÓRIAS QUE VEM À MENTE,
      APARENTEMENTE SEM SIGNIFICÂNCIA.
II - DA TESSITURA DE UMA NARRATIVA SEM CONECTIVOS.


ESPIRRO
Saúde!
LUZ
Parafina
SAUDADE
Aperta
PALAVRA
Som.

FORRÓ
Suor
AMOR
Cadê?
DORMINDO.

COMENTÁRIOS
Seu.
SENSAÇÃO
Frio
PAZ
Preciso
MARACUJÁ
Não.
AMOR
Onde?
DENTRO DE MIM

PAZ
Agora
PRAZER
Delícia
PREENCHER
Aqui.
OU LÁ.


MEDROSOS QUE SOMOS

Medos têm nome, sobrenome e moradia.
Medos são criados e alimentados
Com fidelidade e maestria
Pelo Deus primaz dos medos: Eu.

Há o Medo de Aranha.
Que é primo do Medo de Barata,
Cujo irmão é o Medo de Barata Voadora.
Todos eles moram lá em casa:
Na cozinha, no banheiro, no ralo.
Para onde eu olho, em cada cantinho,
Vejo-os, todos gargalhando para mim,
Que sou gigante e saio correndo.

Há o Medo da Tristeza.
Que é primo do Medo do Sofrimento,
Cujo irmão é o Medo da Dor Física.
Eles moram no timo, pertinho do coração.
São discretos, educadíssimos,
Mas são poderosos em seu silêncio taciturno.

Há o Medo da Morte.
Que é primo do Medo da Vida Após a Morte,
Cujo irmão é o Medo do Céu e do Inferno.
Todos eles moram nos perigos do dia
E nos mistérios da noite.

Há o Medo da Solidão.
Que é primo de segundo grau
Do Medo do Ser Humano.
O primeiro mora no centro de uma metrópole,
Frequenta bares e carnavais.
O segundo é cigano,
Já morou em todo tipo de lugar,
Sempre levantando acampamento,
Quando via que era hora de seguir.

Há o Medo do Medo.
Filho único.
Mimado pelo pai,
Construiu em torno de si
Muralha mais espessa do que a chinesa.
Ele não sai da sua torre de ferro desde que nasceu.
Ele não sai,
Não sai,
Não sai de si.

Medos têm nome, sobrenome e moradia.
Responsável por eles é quem os cria:
O Deus primaz do reino dos medrosos.



UM VAZIO MOLHADO


Quando a chuva não cessa
Haja louvor e promessa
Para ver estiar

Quando a água não cansa
Haja som e haja dança
Para não desanimar

Quando o tempo acinzenta
Haja farinha e pimenta
Para tentar esquentar

Quando o clima se fecha
Haja cama e haja sesta
Para saber aproveitar

Mas quando se enjoa de tanta chuva
De tanta água...
E a vida nua e crua se mostra vazia
Embebedada de rotina e cansaço

Mas quando se enjoa de tanto cinza
De tanto caos...
E a vida cheia de nada concreto
Resolve deixar as águas rolarem.

Fica um vazio molhado por dentro da roupa.
Quente e úmido.
Abafado e esponjoso.

Fica um vazio molhado dentro dos olhos.
Triste talvez.
Calado com certeza.

Fica um vazio molhado dentro da alma.
Um espaço nulo onde tudo-nada cabe mais.
Um recipiente cheio de inexistência.



quinta-feira, 14 de maio de 2015

META FORA

Meta fora!
Nas coxas...
Na parte de dentro dói mais.

Meta fora!
Nos peitos...
No pescoço é muito clichê.

Quer saber?
Meta uma tattoo onde quiser.
Meta um adereço onde achar melhor.

Quer saber mais?
Meta a mesóclise na fala comum.
Meta a metáfora na hora do café.

Fora a lascívia atribuída ao verbo meter,
Tudo está dentro do padrão.

Meta fora o dedo de onde não é chamado.
Use-o apenas quando for requisitado!

Meta fora a metáfora sonora
Na hora de dizer apenas
Palavra de baixo calão!


domingo, 10 de maio de 2015

Mãe: Sujeito ativo de todos os verbos

Em homenagem a minha mãe linda (à esquerda).
Uma mulher forte que pariu e criou essas duas mulheres
igualmente fortes e empoderadas. Gratidão, mãe! Te amo!
Concebeu.
Gerou.
Pariu.
Amamentou,
Alimentou.

Protegeu.
Cuidou.
Sorriu.
Criou,
Educou.

Noites perdeu.
Muito se preocupou.
Nunca desistiu.
Sempre se dedicou.
Sempre protagonizou.

Ser mãe é experimentar
O poder divino de gerar vidas
É ser sujeito ativo desse milagre
E, com amor e delicadeza, mostrar
A resistência e a força da fêmea!

domingo, 3 de maio de 2015

OUTROS OLHARES


Olhos ternos, curiosos, atentos, dispersos...
Olhos serenos, ansiosos, sedentos, relapsos...

Olhos dos outros em meus olhos
O olhar do outro em mim, ou
Meus olhos nos olhos dos outros
Meu olhar no outro
Eu no olhar do outro

Vejo cílios, íris, pupilas dilatando-se
Vejo o movimento acelerado e involuntário
Vejo esboços de sorriso e vergonha
Vejo o vasculhar de recônditos...

Sinto empatia e compaixão
Sinto conexão, entrega e unidade.

E que lugar é esse que me coloca como ''eu''
e aquele ser como o ''outro''?
E que mente autocentrada é essa que não consegue
observar sem querer trazer para si,
comparando, segregando, julgando.

Se eu olho, essa imagem me pertence.
Não tire seus olhos dos meus, por favor!
Me sinto acolhida agora nesse canto de olhar.
Me sinto inteira, sendo parte de alguém.

Olhos...
Piscam sempre.
Abrem-se para um infinito universo profundo e pessoal.
Fecham-se para o que possa parecer invasivo.

Olha para mim...
Esse ser que você vê é seu reflexo:
Sofre e tem medo de estar só na multidão.

Arte de Juliana Cesar in  jcesart.blogspot.com.br