quinta-feira, 30 de abril de 2015

FORÇA, MINHA PRÓ!


Acorda cedo, chega antes dos alunos.
Prepara a sala, dá as boas vindas.
Faz uma prece, conversa, dá risadas.
Lê um texto, faz perguntas à garotada.
Aprende muito, estimula e ensina.
Recebe pouco, para o tanto de trabalho.
Além de doar toda sua saúde na sala-de-aula,
Leva o ofício para casa: prepara atividades,
Corrige provas, pesquisa, se aprimora.
Tenta servir de exemplo em sua vida diária.
E fala de tolerância, respeito e afeto
aos seus pupilos mais rebeldes.

Mas quando vai à rua e tentar dialogar com o governo,
Recebe bala de borracha e spray de pimenta na cara!
E que moral ela vai ter ao retornar à sala-de-aula?
E que sentido mais vai ter seu discurso de amor e paz?
E que utilidade tem seu diploma universitário e
Sua educação acadêmica, se a polícia te trata
Como qualquer coisa, menos como ser humano...

Força, minha pró!
Eles não sabem mais quais são os limites.
Eles perderam a noção de respeito ao ente humano.
Eles pararam de raciocinar.
Apenas reagem e seguem ordens.
E é para não formar mais pessoas como eles
Que você deve lutar.
Eu te apoio em suas greves e em suas reivindicações.

Força, minha pró!
Você não está só.
Somos multidões!
Somos mar de gente de bem
Que quer ver a revolução das baionetas de flores!
Sua luta é minha, é nossa!
E a educação ainda terá seu altar consagrado.
Porém, enquanto construimos os alicerces,
Enfrentamos esses absurdos,
Mas não ficaremos calados!

Força, minha pró!
Essa é sua vocação,
Sua profissão escolhida!
Não desista!
Descanse um pouco agora,
Cure essa ferida.

Força, minha pró!
A guerra contra a ignorância
ainda não foi vencida.


terça-feira, 28 de abril de 2015

AH, MEU SENHOR...

- Ah, mas ela não se dá valor!

E que valor é esse, meu senhor?
Ta achando que ela é objeto de especulação?
Ta achando que ela precisa da sua valorização?
Ela tem o direito de se mostrar como quiser.
E o senhor tem o dever de respeitar a sua liberdade!

- Ah, mas como vou respeitá-la, se nem ela se respeita?

E que respeito é esse, meu senhor?
Ta achando que ela tem que se esconder em casa, para não ser avistada?
Ta achando que ela tem que andar de burca, para não ser cobiçada?
Ela vai aonde quiser e vestida como bem entender.
E o senhor tem o dever de respeitar a sua liberdade!

- Ah, mas mulher de respeito tem que...

- AH, DÁ UM TEMPO, MEU SENHOR!

Ta achando que ela precisa da sua opinião para existir?
Ta achando que é o gerente do mundo e que pode decidir?

Ela nasceu do ventre materno - mulher, fêmea
que pariu de cócoras e sorriu feliz, poderosa.

E o senhor não tem nada a ver com a vida dela!

- Ah, mas sem o homem não existe mulher...

- Ah, meu senhor...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

NASCE UMA LÁGRIMA DE DOR

Que esforço é parir uma lágrima!
Espremer os olhos e apertar
para que a tristeza saia
e caia feito rio
ou lava
e flua
pelo
ar.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

CABELO, QUE BELO!


Algo aparentemente superficial
Que toma proporção continental
Que abala o equilíbrio mental
E faz a menina se sentir mal

Na TV, não tem paquita de tererê
Nem chiquitita estilo Ilê ayê
Mas no espelho, refletida está você
Com um cabelo que ninguém queria ver

Então começa uma revolução silenciosa
Em que cada mulher se sente maravilhosa
E corta o mau-costume pela ponta sedosa
E deixa emergir a raiz enrolada e majestosa

Cabelo trançado, dreadlock, box braid
Rastafari, moicano, blackpower
Cacheado, crespo, volume alto...

Cabelo assumido é grito libertário!
Cabelo natural, que belo!