quarta-feira, 30 de setembro de 2015
VIDA DE PASSARINHO
Passarinho vive assim:
Voando para todos os jardins
Pousando aqui e ali
Bicando amora e caqui
Deixando um canto em cada canto
Encantando os homens-pássaros...
Mas chega o homem-homem,
Que não sabe voar,
Porque não soltou suas asas,
E coloca o passarinho numa gaiola
Porque acha o seu canto bonitinho.
Na verdade, o homem-homem tem inveja
Da liberdade pura e divina, desapegada
De um ser supostamente inferior e frágil
E não contendo sua fúria, prende o bichinho.
E quer que ele cante feliz, como se estivesse livre.
Não dá, homem-homem!
O passarinho não é mais...
Virou seu bibelô:
Respira e pia vez ou outra, de dor.
Mas certamente deixou de Ser.
Pois só se pode Ser estando livre
de toda e qualquer prisão.
Solta o passarinho, homem-homem!
Liberta seu coração!
domingo, 27 de setembro de 2015
FILTRO DOS SONHOS
Vamos filtrar os sonhos,
Porque a noite é uma criança
É necessário limitar as crenças
Para não perder, tão cedo, a esperança
Vamos filtrar os sonhos,
Porque, muitas vezes, vem mascarando pesadelos
É necessário alimentar tudo o que há de bom
Afastar o mal, cuidar do bem com zelo
Vamos filtrar os sonhos,
Porque a vida é festa à fantasia
E nesse vai e vem de máscaras
Nem tudo que brilha é alegria
Vamos filtrar os sonhos,
Porque nem sempre dá para viver de utopia
É necessário separar o que é tangível
Daquilo que dificilmente aconteceria.
Aí,
Filtrado
Decantado
Destilado
Um sonho puro
Pode se tornar real.
![]() |
| Filtro dos Sonhos feito por mim. Presente para um amigo. |
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
COM LICENÇA POÉTICA DO DESEJO
"Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada."
- Hilda Hilst
Porque há desejo em mim
É tudo incandescência!
Não, não cintila apenas:
Queima, ferve
Derrete a pele
Sangra a carne
Faz a mente delirar!
Antes o cotidiano era
Um pensar qualquer
Do cosmos ao caos
Do canto ao cais
Agora, já nem penso mais
Só há desejo
Esse que consome
Invade
Engana
Não ama.
Corrói.
Sonhei luxúria
Onde não havia: Nada.
Nem um laivo de paixão.
Resignada, fodo comigo mesma!
Ao invés de reprimir minha vastidão intensa.
PRIMAVERANDO
A natureza em mim já se prepara
Sente que se aproxima a hora
De despontar o broto
E desabrochar em flor
O corpo tem sua sabedoria
Espera o tempo de se recolher
E conhece quando deve se expandir
Sabe quando bloquear um sentimento
E, mais ainda, quando deixar fluir
Está primaverando...
Há borboletas na janela
Beija-flores no jardim...
Começa uma nova era
Um novo ciclo
De amor em mim.
Sente que se aproxima a hora
De despontar o broto
E desabrochar em flor
O corpo tem sua sabedoria
Espera o tempo de se recolher
E conhece quando deve se expandir
Sabe quando bloquear um sentimento
E, mais ainda, quando deixar fluir
Está primaverando...
Há borboletas na janela
Beija-flores no jardim...
Começa uma nova era
Um novo ciclo
De amor em mim.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
CANTAREI
Uma canção de amor
Que tenta fugir de todo clichê
Que precisa apenas de verbo
E não se eterniza no passado
Uma canção de amor
Que nasce e morre no instante
Que se sustenta em cada beijo
E se manifesta no agora
Uma canção de amor
Que enxerga a alma gêmea como ela é
Que não projeta nela idealizações
E venera cada partícula do Ser
Cantarei o próprio amor
Transformado em melodia
Alma vibra o encontro
Uma canção de amor
Que não usa hipérboles travestidas de paixão
Que até usa metáforas com parcimônia
E que não compara, não (sub)julga
Uma canção de amor
Que é livre de rimas e métrica
Que liberta da dor e do ciúme
E não cabe em si, transborda.
Cantarei o próprio amor
Transmutado em harmonia
Alma viva no encontro.
Que tenta fugir de todo clichê
Que precisa apenas de verbo
E não se eterniza no passado
Uma canção de amor
Que nasce e morre no instante
Que se sustenta em cada beijo
E se manifesta no agora
Uma canção de amor
Que enxerga a alma gêmea como ela é
Que não projeta nela idealizações
E venera cada partícula do Ser
Cantarei o próprio amor
Transformado em melodia
Alma vibra o encontro
Uma canção de amor
Que não usa hipérboles travestidas de paixão
Que até usa metáforas com parcimônia
E que não compara, não (sub)julga
Uma canção de amor
Que é livre de rimas e métrica
Que liberta da dor e do ciúme
E não cabe em si, transborda.
Cantarei o próprio amor
Transmutado em harmonia
Alma viva no encontro.
domingo, 20 de setembro de 2015
REINO
Hoje tive minha alma desnudada.
Hoje me confrontei, novamente,
com fatos terríveis sobre essa personalidade que julgo ser Eu.
Eu!!!
Hoje constatei, reafirmei,
senti vibrar em cada átomo que compõe esse holograma Siomara,
o quanto estou morta e o quanto ainda cultuo esse defunto.
Deus, Amor, Confiança, Honestidade, Morte, Eu...
Está tudo abalado, fragmentado, chacoalhado...
Em suspensão aqui dentro (mente).
Percebi onde habita todo o meu amor: na vaidade.
Onde habita toda a minha fé: no apego.
Onde habita toda a minha dor: nos meus desejos.
Onde habita toda minha bondade: no meu egoismo.
E dói assumir a responsabilidade por si mesma!
E dói perceber que ainda persisto em alimentar toda essa canalhice...
E dói, porque já não faz sentido manter vivo um zumbi que suga minha energia,
que fala por mim, como se fosse Eu, mas palavras torpes e mentirosas.
Não estou sendo honesta comigo!
Não tenho sido Eu há pelo menos uns 28 anos...
Ah, é, tenho 28 anos!
Aquilo que eu penso ser eu está morto:
é memória, é tradição, é conceito, é teoria,
é estrutura, é molde, é gesso...
Inanimado! Já não serve mais.
Preciso perceber que há algo novo em mim a cada inspirar-expirar
e só isso é verdadeiro.
Só a ação é verdadeira.
O que vem depois da ação é só tradição - traição.
Meus conteúdos precisam ser esvaziados... Estou transbordando.
Preciso chorar. Preciso de abraços, afagos
e uns tapas na cara para ver o que realmente dói:
É a pele ou é o brio? É a carne ou é o símbolo?
Senti ciúme.
E o que é o ciúme se não o espinho discreto
que se camufla sob a rosa do amor?
A gente ama outra pessoa mesmo?
Se ama, porque sentir ciúme? É normal mesmo?
Até quando?
NÃO! EU NÃO AMO NINGUÉM MESMO!
O ciúme me fala o quanto tenho medo (eu, essa personalidade vil)
de ser preterida, esquecida,
substituída, inutilizada, desvalorizada...
O que o ciúme aponta é o medo desse ego de não ter seus desejos atendidos,
suas necessidades satisfeitas, suas lacunas preenchidas (mesmo que temporariamente).
Tudo falso! Tudo ilusório!
TUDO UMA GRANDE TRAPAÇA!
Enquanto eu não abandonar esse cadáver que chamo de Minha Personalidade,
Eu, Meu Ego, etc, viverei de farsas, mentiras, corrupção,
engodo, máscaras e contradição...
Enquanto eu não aceitar o que de fato é (não o que acho que sou),
viverei presa nesse ciclo humano de dor e prazer, até enjoar...
E o choro vem para lavar meus olhos
que acabaram de enxergar tanta podridão no espelho.
E eu choro, porque não me resta mais nada agora.
Chorar é ato.
Secar é ato.
Respirar é ato.
Morrer é ato.
Nascer é ato. A cada segundo.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
UNIR VERSOS
Unir versos
Formar estrofes
É vida de poeta
Que, em um ponto,
Nasce e morre
Para se eternizar
Universos
Tão diversos
Tantos versos
E eu limitada à frase
Discutindo o uso da crase
Achando que amar é uma fase
Um inverso
Um paradoxo complexo
Essa mente profana
De artista mundana
Que deseja não desejar
Que quer não querer
Idealizar um futuro perfeito
Daqui a dois segundos
Fecundos
Profundos.
Um verso sem verbo
Controverso em seu teor ideológico
Imerso em suor e sexo.
Seguido de (in)sensatez.
Depois caos.
Depois paz.
Depois.
Formar estrofes
É vida de poeta
Que, em um ponto,
Nasce e morre
Para se eternizar
Universos
Tão diversos
Tantos versos
E eu limitada à frase
Discutindo o uso da crase
Achando que amar é uma fase
Um inverso
Um paradoxo complexo
Essa mente profana
De artista mundana
Que deseja não desejar
Que quer não querer
Idealizar um futuro perfeito
Daqui a dois segundos
Fecundos
Profundos.
Um verso sem verbo
Controverso em seu teor ideológico
Imerso em suor e sexo.
Seguido de (in)sensatez.
Depois caos.
Depois paz.
Depois.
Assinar:
Postagens (Atom)
