Rodopiei,
A diante, andei...
Rodopiando
Rodipiante, suei!
Foi que ouvi um som
Que em meu corpo repercutiu
Em forma de ondas.
Virei oceano vasto e voluptuoso.
Fiz quebrar maré na praia,
Fiz esparramar espuma na rocha.
- Baixou a Terpsícore! -
A musa grega que se deleita na dança -
Disse um andarilho quase intelectual.
Girei, ondulei, me balancei...
Frenesi.
- Tô mais pra Pomba Gira, Padilha. -
Retruquei com desprezo.
Não me enche assim de orgulho uma entidade estrangeira...
Mas com a pulga atrás da orelha,
Fui procurar saber como essa criatura de nome esquisito se comporta.
É gorda - uma afronta aos padrões estéticos contemporâneos - ponto para ela.
Toca uma lira - me atinge muito mais um atabaque ou um timbau. - ponto para a Gira.
Estão empatadas as personagens que disputam um lugar na minha performance.
Talvez eu não precise dar nome aos bois.
Nesse caso, às vacas.
E sendo fêmeas, são tão sagradas quanto colo de mãe
e tão profanas quanto o chamado das esquinas.
Eu as invoco, porque aquilo que não sabemos
Alguém vem e nos ensina.
Eu continuo rodopiando...
Rodo um pouco,
Pio um vinho,
Ando um caminho.
Chego a flutar,
Fazendo a música delirante
Retumbar mais lancinante
Nos pés, no ventre, no ar.

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