terça-feira, 12 de junho de 2018

ALQUIMIA

Jogue um feitiço em mim
Lance a fórmula mágica...

Da amizade com afeto:
Despretensiosa, papo reto.

Do afeto com desejo:
Já imagino o gosto do beijo.

Do desejo com paixão:
O corpo querendo o toque da sua mão.

Da paixão com a liberdade:
Sabendo os limites das possibilidades.

E não sustento minhas muralhas,
 - Sou atingida por profundezas e migalhas
De carinho e mais um tanto-
Caio no seu encanto.
























(Poema escrito em 02 de fevereiro de 2018)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

DESABAFO ESCRITO EM 12 DE JUNHO DE 2017

A crise existencial é apenas o resultado de uma série de pensamentos ardilosos que nutrimos, balizados pela pressão social de todos os aspectos da vida, das mídias, das metas e padrões de comportamento alheios... tudo o que fazemos é comparar nossa vida medíocre, ou como nossa mente se auto denomina, "vidinha de merda ",com a vida super interessante-badalada-bem sucedida-estruturada-dentro das normas-linda-colorida-saudável-rica e organizada das pessoas que seguimos, principalmente nas redes sociais! Genteesss... precisamos respirar, acalmar um pouco a mente. Voltar para nosso eixo. Eu tô falando é de mim, tá! Como muitas vezes me pego invejando (e é inveja do "mal" mesmo, de querer viver aquilo naquele momento... apesar de não querer fazer o mal para a pessoa, que fique explícito! ) pessoas que estão viajando, na balada, comendo alguma coisa que minha dieta - ou orçamento -não permita... daí vem um sentimento de fracasso... fracasso por ser alguém de 30 anos que não está no auge de emancipação que desejaria para esse momento da vida. Estou desempregada, dependendo dos meus pais para tudo, tenho uma bebê de 1 ano, sou mãe solo, não tenho mais vida social, não saio mais com meus amigos, não tenho um (a) amor pra chamar de "mô", não posso fazer nada sem minha filha, a menos que seja algo programado com 1 mês de antecedência e ainda assim, no dia, a pessoa que ficaria com ela pode ter algum "contratempo " e simplesmente não aparecer. Eu fico para segundo plano sempre.  Voltei as aulas na faculdade em ritmo de tartaruga, 2 disciplinas por semestre,  lendo e fazendo trabalho de madrugada,  quando a pequena está dormindo. Affff. ... respirar,  porque cansa se deplorar demais!  Sei que tenho trocentos motivos para ser feliz! Mas... tá batendo desespero aqui!!! Aí eu vou no espelho, tiro uma selfie, mostro um sorriso qualquer, posto no insta -ou em qualquer outra rede- e recebo alguns likes... pronto! Por algumas horas, meu ego fica feliz, marquei presença, me fiz vista, deram like!  Comentaram! Sou alguém! Alguém me viu... poxa... cadê os Abraços dos que amo? Cadê os casos engraçados? As gargalhadas? Cadê a dança na minha vida? Cadê a paixão, o amor? Cadê eu? E é nessa hora que bate a crise existencial! !! Para que eu existo? Não faço diferença no mundo... bla bla bla... uma mente atordoada, vos digo! Minha mente só sabe comparar, reclamar, se julgar, querer, desejar, se depreciar... preciso reeducar minha mente. Mas é uma tarefa chata da porra! Porque, quando tento mudar um padrão de pensamento, é aí que ele insiste em aparecer constantemente, em contextos diversos. Dia desses eu estava achando que a solução para minha tristeza seria encontrar uma companhia  (homem ou mulher )... sabe, ter alguém pra dormir de conchinha e todas essas baboseiras que empurram nossa goela abaixo, nos discursos por aí! Não é que eu fiz a porra do tinder? Agora veja onde a  criatura queria encontrar um amor pra chamar de seu! Kkkk tinder é um freak show! São muitos egos carentes e mal intencionados querendo apenas satisfação de seus desejos mais primitivos. E eu estava ali, no bolo, escolhendo "minha melhor foto", me vendendo, me expondo na feira das relações descompromissadas! Me senti asquerosa! Tive nojo de mim. Depois pena, depois raiva! Desativei o tinder na mesma noite, quando, desesperada ao perceber que havia conseguido um match mas não estava a fim de ir adiante com aquela encenação ordinária,  fugi. No dia seguinte, bateu a carência de novo... aquele sonho romântico de ter alguém para passear de mãos dadas na beira da praia veio de novo, como suave brisa junina... lá vai a descarada pro tinder de novo! Mais matches! Dessa vez uma moça linda... cadê a coragem? Desativei de novo! Deixa lá. Não preciso de nada disso, diz meu ego! Quando tiver de ser, será!  (Aqui cabem muitas interrogações ) preciso curtir minha solidão. Mas curtir a solidão sozinha em casa, com livros,séries, cães e gatos é fácil,  é lindo, é cult. Eu tô curtindo minha solidão há 1 ano, numa relação simbiótica de maternidade exclusiva compulsória.
Não me restaram alternativas. Fugir da maternidade não me parecia uma opção. Aceitei a condição. Fui recebendo as porradas da vidinha de merda, uma atrás da outra. Tô viva, sobrevivendo. Amamento nos intervalos todos. Dou banho,troco fraldas, dou comida, corro atrás para não meter a mão nas tomadas, no sanitário, nos lixos, para não cair... marco pediatra, levo. Levo para passear, quando a crise dá uma trégua.  Compro o que for necessário para ela... cuido o tempo todo. Dela. De mim não. Vou me deixando pra lá. Assim como vou deixando meus planos... Mas essa é apenas a minha história. Eu paro também para pensar em outras histórias por aí,  algumas bem próximas a mim. Cada pessoa carrega sua carga . algumas parecem carregar muito mais do que outras. E o que eu julgo pouco, pode ser muito para quem está vivendo a situação. O fato é que estou em crise existencial,  olha só,  eu que deveria estar plena e realizada, pois sou mãe de uma menina linda e saudável, devo ser mesmo uma puta ingrata que não sabe o que é realmente sofrer na vida! Egoista do carai! Ou não,  né. Só "eu" sei. Tenho 30 anos, joguei os sonhos de uma vida inteira no lixo, quando descobri a gravidez.  Me doei com todo meu amor,  me dôo até hoje. Saio as vezes, tenho meus dias de fuga. Procuro minhas válvulas de escape. A pressão é grande. Sei que tudo passa. Sei que a menina vai crescer, vai pra escolinha, que terei um pouco mais de tempo para correr atrás do que me interessa. Só não sei se o que me interessa estará vivo em mim até lá,  entende. Sou de água, passional! Tem que ser aqui e agora, tem que vibrar, escorrer pelos poros, eriçar meus pelos, tem que ser intenso e vivo... sonho não espera depois dos 30. Não os meus sonhos! Demorei tanto para andar no meu próprio  caminho... e quando, enfim estava nele, um desvio. Um desvio lindo que amo, mas estou sozinha nesse novo caminho! (Sim, tenho minha mãe, mas ela tem a vida dela e tem outra neta bebê que também precisa de auxílio, enfim...) Essa crise vem... toda noite. Todo dia. Toda hora. Eu convivo com esse conflito entre o que sou e o que eu gostaria de ser mas não posso. E não posso simplesmente porque me tornei mãe! Mãe solo. Desempregada. Solteira. Sozinha. Fim.
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Texto acima foi escrito há 1 ano. 
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Graças ao apoio incondicional de minha mãe e à espiritualidade, consegui sair daquele quadro depressivo que se agravava a cada dia. Fui uma guerreira sim, numa batalha intrapessoal incessante. Minha situação começou a melhorar quando pude deixar Sophia com o pai dela 1 vez por mês, para participar dos trabalhos espirituais com o chá da Ayahuasca , no grupo espiritualista Nova Era. Depois de muita catarse, limpezas energéticas e físicas, participei de diversas terapias e iniciações. Sou muito grata a todas e todos envolvidos nesse projeto doloroso do meu despertar. Ainda estou caminhando , buscando esse caminho do Meio. Há quase 3 meses venho fazendo a Ressonância Harmônica com Hélio Couto e sinto que a expansão consciencial atua de maneira progressiva e exponencial : não posso retroceder. Só agradeço e continuo minhas lidas diárias, com muita fé na espiritualidade, no Criador e no Amor Cósmico existente em cada ser humano. (SIOMARA , 11 DE JUNHO DE 2018)