Minhas ferramentas
Aguardam serenas,
Para tempos de enfrentar tormentas.
Sou dessas: Mecânica
Que só aperta os parafusos
Quando a maré é titânica.
Minha dança
Aguarda em pés descalços,
Para tempos de desesperança.
Sou dessas: Cigana
Que só gira a saia,
Quando a mão lida engana.
Minha poesia
Aguarda paciente e discreta,
Para tempos de solidão e maresia.
Sou dessas: Poeta
Que só verte as palavras
Quando a dor aperta.