quarta-feira, 19 de novembro de 2014

PERDI MEU CHÃO


Perdi meu chão.
Começou com um leve trincado debaixo do meu colchão.
Aos poucos, pisando com cuidado, percebi que estava todo solto.

Perdi meu chão.
Aquele que eu acreditava ser firme, estável, seguro e inabalável.
Me expôs ao desconforto de ter que me alojar em outro lugar.
Me colocou em risco, me deixou trêmula e traumatizada.

Perdi meu chão.
Tudo o que era sólido até ontem, se liquefez.
Minhas porcelanas se espatifaram.
Estou pisando em cacos.
Sou cacos.
Sou caos.

Perdi meu chão.
Para refazer meu caminho.
Para trilhar uma nova caminhada.
Vou escolher uma outra cor de piso.
Vou reaprender a não me assegurar de nada.
Quero perder o chão todos os dias
E ser verdadeiramente livre na estrada.


(Poema inspirado em um fato verídico, metáfora elaborada com ajuda da minha irmã Samara Coelho)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

NÃO SABE O QUE SENTE


Prolonga um beijo, com os lábios repousados nos meus
Me abraça, me cheira, me intima à intimidade
Deixa os olhos fechados, peço que os abra
Paramos um no outro
E rimos da gente

Então, vem a conversa.
Expresso em palavras o que se passa em meu ser
Exponho como estou vivenciando esse nosso afeto novo
E não espero reciprocidade, de verdade
Sei apenas que gosta de mim
E isso me basta

Mas insiste em me dizer que não se entende...
Que está numa fase difícil, que a mente está confusa
E às vezes age sem pensar, apenas quer estar comigo
Mas não sabe o que sente.

Não se esquente com isso!
Eu sei o que eu sinto, amor.
Estou ciente da sua insensibilidade aparente.
Daremos tempo ao nosso caso,
Por um acaso, nos esbarramos.
Não espero que me ame em apenas um mês.
Não se atormente...
Quando for a hora, saberá o que sente.

É TER NA MENTE VOCÊ


De todos os poemas que já te escrevi
E de todas as canções que a ti dediquei
Esse é um caso diferente.

Esse é um daqueles que a gente tenta expressar o que sente
E não consegue, por mais que se procure rima rica, métrica certa
Aí o olho rola umas lágrimas...
Aí o coração dispara num lapso e bate uma saudade...
Aí a mente lembra de tudo o que se foi vivido...
Vem uma felicidade banhada em nostalgia.

Quero deixar o passado lá atrás:
Porque foi lindo, limpo e legítimo.
Quero deixar o presente ser o que é:
Dádiva e vida viva.
Quero nem pensar em futuro:
Esse que está além das nossas mãos.

De todos os poemas que já te escrevi,
Esse fala de uma outra forma de amar.
Uma outra mulher, agora amiga-irmã,
que sente saudade e quer te ver feliz.

De todas as canções que a ti dediquei,
Faria hoje uma balada alegre,
Para sentirmos, os dois, a plenitude
desse nosso elo fraterno.

Esse é um caso diferente.
''Ex-amado'' é exagero!
Amigo, irmão, companheiro.
Tenho você no coração e na mente,
E em cada sílaba dos meus poemas corriqueiros,
Eternamente.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

NA BEIRA DO CAIS

Não sou moça de cais
Mas tenho uma paixão
Um moreno manhoso
Roubou meu coração

Odoiá minha mãe
Guarde o meu xodó
Se se perde no mar
Eu ficarei tão só

De oferenda eu devoto
Muita renda e perfume
Tua filha já sou
Não lhe faço queixume

E então eu percebo
Como sopra o vento
Como surge o sol
E ao mar eu me rendo

Vem uma onda no mar
No barco um pescador
Leva embora a saudade
Devolve o meu amor

(Samba de roda composto por mim para apresentação de uma performance artística na faculdade.)


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Siomara: Desde 1986

28 anos... Estou entrando no meu quinto setênio.
É uma fase de profundas mudanças, amadurecimento.
Estou tão ''senhora de mim'', dona das minhas escolhas,
honesta comigo mesma, seguindo minhas intuições e vontades verdadeiras,
que já me sinto realizada na vida.
Não, não tenho uma carreira profissional definida,
não plantei uma árvore - mas cultivo algumas flores! -
nem fiz um filho ainda!!!
Mas estou realizada no meu agora, presente.
Agradeço a mim mesma por ter tomado as decisões que tive nesse ano de 2014.
Abri mão do que era ''seguro e estável'', mas que me fazia mal,
e me joguei nas experiências desconhecidas do devir.
Estou me amando mais.
Me alimento melhor, como menos carne, tomo menos leite e café.
 Evito refrigerantes, doces e frituras.
Sai do sedentarismo. Estou dançando com frequência e me exercito de formas variadas.
Sai da casa dos 3 dígitos - de novo!
Dessa vez, sem a pressão obstinada de emagrecer por estética, e sim pela saúde!
Estou menos ansiosa. Respiro melhor, com mais frequência, ''pelo abdomem''.
Estou aprendendo coisas novas: canto, violão, danças, artes...
Conheci muita gente boa, com mente aberta, com alegria de viver, confrades artistas!
Meu círculo de amizades está maior, mas mantém a qualidade: só gente do bem,
de coração livre, de abraço forte e riso solto!
Agradeço ao Universo, a Deus, ou a qualquer símbolo de superioridade e imensidão que a minha mente inferior não consegue atingir.
Agradeço a mim mesma por me permitir.
Agradeço eternamente aos meus pais, que me deram a oportunidade de um encarnação repleta de amor, de carinho, de dedicação por parte deles: são meus anjos encarnados, meu amor maior e inquestionável! E a minha irmã que é meu amorzão também, que me inspira e me ajuda tanto! Agradeço aos meus amores, minhas paixões...
São tantas razões para que eu me sinta repleta, plena, realizada, porque sou cercada de maravilhas e isso é a maior riqueza: sou cercada de amor!!!
Espero estar também difundindo esse amor que há dentro de mim... A cada sorriso, gargalhada, abraço, dança, que eu manifestar, quero que uma porção mágica dessa gratidão, desse amor cósmico, invada a atmosfera e preencha os espaços, causando explosões de felicidade.
O sentimento de hoje é GRATIDÃO.

sábado, 1 de novembro de 2014

SOU POETA


Me quero poeta.
Sim, essa é a forma correta.
Não me queira poetisa,
Nem me queira feminista!
Só acho que poeta não precisa:
De gênero, de raça, de sexo...
De tamanho, de crença, de nexo.

Eu, poeta, poetizo uma dor.
Ela, poeta, poetiza o caos.
Nós, poetas, poetizamos
Fagulha, fécula, pólen e sêmen.
Onde você vê apenas pó,
Vemos pó e cia: poesia.

E, nessa dança herege
De palavras em transe
E desinências em harmonia,
Vejo surgir o poema!
Essa é a minha forma concreta.

Não me queira poetisa.
Sou poeta.
E a minha alma
É poesia.




(Poema dedicado a todas as mulheres que escrevem e se deliciam nessa arte das entrelinhas! Inspirado na mais nova poeta do meu círculo social, Milena Rhumas.)