Para descansar.
Não era para dormir,
Mas nem percebi.
Quando acordei,
Já havia escuridão.
Deitei à tarde,
Para sonhar.
Não era para dormir,
Mas não evitei.
Tive pesadelos.
No susto, levantei de supetão.
Dei um tempo
Só para mim
Para sedimentar ruídos mentais
Que foram chacoalhados por ervas medicinais.
Dei um tempo
Só para tudo
Para organizar a desordem do eu
Que ficou mais caótica do que há alguns segundos.
Sonhei penhascos,
Quando havia abismo aqui dentro.
Me joguei
Despenquei
Cai.
Quis amar o mundo,
Quando havia carência de afeto aqui perto
Me olhei no espelho
Chorei
Sorri.
Procurei nos outros a mesma chave
que os outros procuram em outros outros, em mim...
Procuramos, todos juntos, fora
A chave que nem existe:
Foi inventada para distrair.
Deitei extasiada em gozo.
Me cobri de leveza e um pouco de culpa.
Por que tanto barulho lá fora?
Por que tanto sussurro aqui dentro?
Quis apagar dessa realidade estranha
E me libertar da prisão
cuja carcereira,
cela, cadeado
e hierarquia
são todas Eu.
Acordei amassada em mais ilusões e fantasias.
Continuo de olhos abertos, no meu reflexo de letargia
Em que se dorme acordada no rufar dos medos
e se acorda dormente no tilintar dos desejos.
Abri os olhos,
Lua cheia.
Sinto frio
e ainda sono.
Boa noite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário