sexta-feira, 5 de junho de 2015

FOME DE MUNDO

Devoraria o mundo todinho agorinha.
Começaria apreciando o doce rebuliço de todos os sons.
Depois, salivaria ao cheirar a amálgama de todos os aromas.
Então, sentiria na pele os pelos eriçados por todos os tipos de texturas.

Prepararia o prato de entrada com elementos naturais de fácil digestão.
Abriria minha bocarra astral e morderia de uma só vez todos os vales floridos e montanhas rochosas.
Mastigaria com paciência e engoliria, com a ajuda de um gole do Oceano Atlântico.
Faria, então, o prato principal, com todos os recursos naturais existentes no planeta.
De sobremesa, escolheria alguns icebergs da Antártida polvilhados com areia do Saara.
Arrotaria com liberdade e, certamente, com plenitude.

Entretanto, sentiria que deixara para trás algum item delicioso.
Lembraria daquele pacote de humanidade crocante e com diversos sabores.
Não resistiria a essa tentação:
Comeria um homem, uma mulher, uma mulher, um homem...
De todos os tamanhos, cores e sabores!
Tentaria me conter e provar só alguns.
Mas, certamente, acabaria com toda a humanidade em uma sentada.
Que aperitivo magnífico!

A cada ''croc'', uma novidade digerida.
A cada ''croc'', um universo dissolvido na saliva.

Minha fome de mundo - e o próprio mundo - chegaria ao fim.
E eu lamberia os beiços, satisfeita do meu banquete antropofágico.

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