sexta-feira, 15 de maio de 2015

UM VAZIO MOLHADO


Quando a chuva não cessa
Haja louvor e promessa
Para ver estiar

Quando a água não cansa
Haja som e haja dança
Para não desanimar

Quando o tempo acinzenta
Haja farinha e pimenta
Para tentar esquentar

Quando o clima se fecha
Haja cama e haja sesta
Para saber aproveitar

Mas quando se enjoa de tanta chuva
De tanta água...
E a vida nua e crua se mostra vazia
Embebedada de rotina e cansaço

Mas quando se enjoa de tanto cinza
De tanto caos...
E a vida cheia de nada concreto
Resolve deixar as águas rolarem.

Fica um vazio molhado por dentro da roupa.
Quente e úmido.
Abafado e esponjoso.

Fica um vazio molhado dentro dos olhos.
Triste talvez.
Calado com certeza.

Fica um vazio molhado dentro da alma.
Um espaço nulo onde tudo-nada cabe mais.
Um recipiente cheio de inexistência.



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