quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ESTADO

Já fui
Já foi
Passou
Não há antes
Não há depois

Eu sou
Estou
Agora respiro
Vibro
Percebo
E crio
Meu universo astral

Não há mal
Não há mau
Só o bem
Só o bom
E o belo
Elo
Unindo
Eu e eu
Você e Eu
Todos nós.

Ar entra e sai
dos alvéolos
dos porões
das janelas
dos pulmões

Vida há
Em toda parte
Arde, arte
Queima e Reina
Invade o corpo
Ocupa a mente

Não fuja
Encare
Confronte
Desvende
Entenda
Perceba
O seu estado atual

Estado limitado de desejo
Estado limitado de animal
Estado limitado de medo
Estado limitado de carnaval

Respiro
Percebo
Paro de pensar
Sinto tudo vivo em mim
E fora
E ao redor
Eu sou.
Estou em tudo
Percebo meu estado atual

Estado emancipado de observação
Estado emancipado de compreensão
Estado emancipado de iluminação
Estado emancipado de evolução
Estado emancipado de humanidade.

sábado, 15 de agosto de 2015

COMEÇOU NO NEOLÍTICO


Éramos veneradas
Deusas-mães
Solos férteis
Vagina sagrada
Ventre cheio
Vida plena
Homens humildes
Mulheres em paz.

Dividiam tarefas
E faziam festas
Trepavam por diversão
Então apareciam
As fêmeas prenhes:
Milagres da natureza.

Eles não sabiam que participavam da reprodução.
Acreditavam que a mulher era divina e sozinha gerava
A cria em seu ventre, unindo fogo, terra, água e ar.

Até que, juntaram carneiros e ovelhas,
E notaram que logo após a cópula,
As ovelhas davam barriga.
Descobriram que seu sêmen era a semente da vida.
E além, perceberam que um único varão poderia emprenhar 300 vadias.
E começou toda a discórdia.

Quebraram as estátuas de barro com mulheres redondas
No lugar delas, falos enormes rijos e eretos.
Em toda parte a força do pênis era o símbolo de poder.
E começou ali, no neolítico, o patriarcado que 
Usando de violência e crueldade, impõe regras e limites torpes
Ao, outrora livre e sagrado, corpo da mulher.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

VONTADE DE CHORAR

Sem motivo aparente,
Me vem à mente esse vazio que dói
Me vem à boca esse silêncio que corrói
Me vem aos olhos a ausência de lágrimas
Seca em corpo, inundada em choro na alma

Posso observar todo esse sentir
Posso deixar fluir todo esse devir
Ou posso me entregar ao sentimento de solidão
Ou posso me devastar em tempestade e imensidão

E por mais que me saiba amada
E sabendo ser amada, creio na proteção do amor
Me sinto solta, perdida, no mundo das possibilidades infinitas
Onde estou aqui abraçada com meu amor-próprio
E em instantes sinto-o arrancado do meu âmago
Me deixando desamada de mim.

Quem levou meu auto-amor?
Quem ousou me desnudar?
Agora não importam respostas
Só sei do sinto: essa vontade de chorar.