sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Juras de amor próprio


Eu me declaro mulher.
Na alegria da Donzela
Na audácia da Feiticeira
Na saúde da Mãe
Na sapiência da Anciã.


Me declaro minha,
Em todas as fases desta vida.
E se for para estar comprometida,
Que seja leve a companhia 
Nesta caminhada.


Prometo me conhecer,
Me curar,
E me apaixonar
Todos os dias
Pela Vida

Até que a morte
Me encare.


Siomara - Morro de São Paulo, setembro 2019 _ Foto: Ibu Rufino

sexta-feira, 8 de março de 2019

SOU DESSAS

Minhas ferramentas
Aguardam serenas,
Para tempos de enfrentar tormentas.

Sou dessas: Mecânica
Que só aperta os parafusos
Quando a maré é titânica.

Minha dança
Aguarda em pés descalços,
Para tempos de desesperança.

Sou dessas: Cigana
Que só gira a saia,
Quando a mão lida engana.

Minha poesia
Aguarda paciente e discreta,
Para tempos de solidão e maresia.

Sou dessas: Poeta
Que só verte as palavras
Quando a dor aperta.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Moída

Fustigada, sinto a carne latejar.
Fui amassada, pressionada, manipulada:
Estou moída, estou cansada!

O músculo estressado,
Inundado em cortisol,
Tem espasmos e desiste:
Pesa o mundo em minhas costas.

O corpo quer descansar, quer desfalecer.
Mas é a mente que decide
prosseguir na lida.

E é por Amor, que a gente se coloca nessa,
é por algo maior.
Ademais, eu tenho fé na Vida.

Fecho os olhos de toneladas,
pareço deixar de existir.
Meus pés rachados, quase não sinto.
Respiro fundo do oceano escuro
E vejo a alma se desintegrar.

Então me lembro do som do meu nome
E da voz da minha filha
E da convocação para permanecer
E da consagração do sacerdócio
E da profecia ancestral
E das aves de verão
E das ondas do mar ...

E fico:
Fustigada, amassada, pressionada, manipulada, cansada.

Puta
Da vida.