quinta-feira, 9 de março de 2017

VIDA-FLOR

Estou cravejada de espinhos.
Rosa despetalada.
Só sobraram estes
Que me protegem
E me ferem
Porque assim deve ser.

Não há mais seiva
Nem sangue
Nem lágrima.
Há somente dor
E uma semente seca
Que não germinará.

Assim acaba o ciclo
De uma vida-flor
Iludida com a ocasião
De estar enfeitada de superficialidades
E ser buquê.

Não sirvo mais para flor.
Não quero servir mais para nada.

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