Não dou a mínima para essas datas comemorativas comerciais.
Porque, sim, para além do clichê, dia das mães é todo dia mesmo!
Eu até entro no clima socialmente, parabenizo, - e hoje agradeço também! - mas
internamente sinto que é apenas uma banal tradição capitalista.
Quando eu era criança, achava a data divertida, pois sempre tinha algum artesanato produzido por mim na escola, para presentear mainha! Eu e minha irmã invadíamos sua cama com cartinhas e um café-da-manhã infantil. E ela adorava - ou, pelo menos, parecia adorar!
Mas minhas demonstrações de afeto nunca foram presas a datas. Eu sempre tinha um abraço, um ''eu te amo'', prontos para serem colocados para fora de mim, independente da ocasião: painho e mainha sempre foram a parte mais preciosa do meu ser!
Para não parecer hipócrita, a partir da adolescência, tive muitos arranca-rabos com minha mãe, por sermos muito diferentes em alguns aspectos, por excesso de ciúme da minha parte, por querer para ela uma vida perfeita, sem dores, sem lágrimas... Eu brigava, porque essa era minha linguagem!
Mas ela, de uma maneira mágica - que só agora posso compreender -, nunca virou as costas para mim! Mesmo depois de muitos impropérios, de eu ter sido uma adolescente - e uma jovem adulta - extremamente não subserviente, com atitudes que denotavam ingratidão - apesar de internamente eu sempre me arrepender das coisas que eu fazia-, minha mãe sempre estava lá quando eu precisava, sem jogar na minha cara o quanto eu ainda dependia daquele porto seguro, sem exigir de mim nada além de ser feliz!
E hoje eu entendo o que é essa força poderosa chamada maternidade!
Agora tudo o que vivi até então faz sentido.
A minha mãe vive em mim e eu vivo em minha filha!
Entendo toda a dedicação, a abdicação de suas próprias vontades,
o ''sacrifício'', a energia aparentemente infinita, a ''incansável''
mulher que parece viver para servir...
Só agora compreendo, respeito, reverencio.
Certamente não serei uma mãe como a minha é.
Mas a força, o amor, a capacidade de me doar pela minha filha existe em mim!
Então, meu desejo para o dia das mães é me perdoar por não ter sido uma filha digna.
Desejo também perdoar a minha mãe pelas pequenas falhas que ela mesma já pontuou.
Hoje também desejo ter muito mais leite e energia para acordar a cada 2 horas e
alimentar minha pequena Sophia. =D
Desejo que futuramente minha filha seja livre para se expressar, independente de data, e só expresse o que for verdadeiro em seu coração. Que ela possa me dizer onde estou errando e que eu tenha humildade para retificar as minhas incoerências.
Desejo que mães e filh@s façam as pazes hoje, amanhã, qualquer dia, e que o amor prevaleça!

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