sexta-feira, 20 de maio de 2016

MINHA REVOLUÇÃO PARTICULAR

Há 7 meses eu recebera a notícia que revolucionou a minha vida: estava grávida. Não era segredo para ninguém que eu nunca quis ser mãe. Isso era um fato. Um bebê jamais fez parte dos meus planos, pois não se encaixaria na rotina que eu tinha, interferiria na liberdade que eu amava, no meu estilo individualista e um tanto desregrado de ser. Não abordarei as circunstâncias da concepção ''acidental'' - prefiro acreditar na casualidade e não em acidente - nem falarei do caráter duvidoso dos métodos contraceptivos. Isso é de foro íntimo. O que quero expressar nesse texto é o quanto mudei radicalmente desde que comecei a gerar uma vida.

Nos dois primeiros meses de gravidez, comecei a mudar velhos hábitos, a praticar uma rotina mais saudável, mas eu ainda não sabia que estava gestante. Quando soube daquela condição especial, decidi levar mais a sério ainda a onda de reformas interiores. Mas não foi só isso que mudou.

Tive de refazer todos os meus planos profissionais e acadêmicos. Tive de abrir mão da primeira oportunidade de trabalho teatral, tive de adiar a entrada na área de concentração em Teatro, tive de abandonar algumas atividades artísticas. Tive de pausar, por tempo indeterminado, tudo o que eu tinha estruturado em minha mente para a minha vida.

Agora tudo o que penso é pelo bebê que gerei. Pesquiso apenas conteúdos relacionados à maternidade: e é muita coisa! Questões outras que me interessavam já não ocupam meu tempo - nem tenho esse tempo!

Durante a gestação, meus sentimentos atingiram picos por mim desconhecidos. Sorri e chorei por motivos nunca antes experimentados, os mais banais. Emoções à flor da pele, ora me senti um bebê gerando outro, ora me senti uma anciã cansada da vida. Contudo, vivi os melhores 9 meses de todos esses 29 anos. Dormia e acordava num estado de plenitude - apesar das preocupações corriqueiras - e satisfação pela existência de uma outra vida dentro de mim. Os hormônios funcionaram perfeitamente e eu me senti muito mais feliz, linda, em paz.

Quando pari e tive o primeiro contato com meu bebê, conheci o amor mais puro e mais forte que um ser humano pode vislumbrar: chorei, sorri, griteeeeeeeeeei ''Ela é linda! Meu amor! Minha filha! Maravilha de Deus!'' E conheci também meu lado mais mamífera, mais animal, sem vergonhas, pudores, etiquetas: virei bicho fêmea que lambe a cria.

E desde então eu sou outra: outra pessoa, outra existência, outra coisa, outra demanda.
Hoje meu bebê completa 1 mês de nascida. E que mês intenso! Aprendizados contínuos e sucessivos para ela e, com certeza, para mim! Aprendi as coisas básicas, cuidados, detalhes, minúcias: tudo tão pequeno e frágil. Aprendi as coisas árduas: resistir ao sono, à fome, ao cansaço... ao desespero! Estou internalizando, assimilando, todo esse universo em expansão que se abriu a partir do meu ventre.

A velha Siomara ainda está aqui, escusa, inquieta, louca para sair dançando e cantando da jaula improvisada - e provisória! Ela crê que poderá voltar algum dia. Ela espera. Mas, por enquanto, é essa Siomara Mãe que está comandando: não sei como serão os próximos meses, nem consigo imaginar como será amanhã, mas suspiro de alívio a cada vez que minha filha pega no sono e me deixa cochilar por alguns minutos! Nesse exato momento, aproveito a brecha que ela me dá e faço uso desse instrumento que amo: a escrita.

Essa foi a minha grande revolução particular: assumir, aceitar, acolher, com o maior amor do mundo, essa oportunidade que a natureza me deu de amadurecer e dar um significado mais nobre à minha vida. Não nasci para ser mãe, mas há um mês nasceu uma mãe devota e cheia de amor para dar.


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