quarta-feira, 6 de setembro de 2017

CICLO ELEMENTAL

Eu sou aquela que desagua
Em sangue, a cada lua
Em leite, a cada cria
Em gozo, a cada ato

Sou correnteza
Que só segue
Se desvia 
mas não para
Nem se prende
Fluida...
Quase como ar.

Eu sou aquela que sopra
Intuição, a cada noite
Inspiração, a cada dia

Sou ventania
Que promove
Des-ordem
Mobiliza 
Mudanças 
Quase como fogo.

Eu sou aquela que arde
Em lutas, a cada injustiça
Em risos, a cada conquista

Sou fogareiro
Que invade
E transmuta 
Trago a Fênix 
Forte.
Quase como a terra.


Eu sou aquela que sustenta
Nos braços, adultos e crianças
Nos ombros, a dor do mundo
Nos pés, minhas próprias andanças


Sou barro e pedra
Lama e pó 
Que gera, abriga
Nutre e
Protege.
Fundamental,
Quase como água. 



(Poema composto para a performance "Desvendar", de Dança do Ventre,  na Escola de Dança da UFBA,  em agosto de 2017)


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