Em sangue, a cada lua
Em leite, a cada cria
Em gozo, a cada ato
Sou correnteza
Que só segue
Se desvia
mas não para
Nem se prende
Fluida...
Quase como ar.
Eu sou aquela que sopra
Intuição, a cada noite
Inspiração, a cada dia
Sou ventania
Que promove
Des-ordem
Mobiliza
Mudanças
Quase como fogo.
Eu sou aquela que arde
Em lutas, a cada injustiça
Em risos, a cada conquista
Sou fogareiro
Que invade
E transmuta
Trago a Fênix
Forte.
Quase como a terra.
Nos braços, adultos e crianças
Eu sou aquela que sustenta
Nos ombros, a dor do mundo
Nos pés, minhas próprias andanças
Sou barro e pedra
Lama e pó
Que gera, abriga
Nutre e
Protege.
Fundamental,
Quase como água.
(Poema composto para a performance "Desvendar", de Dança do Ventre, na Escola de Dança da UFBA, em agosto de 2017)

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