Roçar forte e rápido:
Corpo nu, no seu
Clitóris cru, seus dedos
Mamilos eriçados, sua língua
Boca ávida, seu pau rijo.
Fujo de mim, mergulho em ti
E nesse instante não sou mais eu.
Não somente eu.
Friccionamos nossas carnes,
Porque isso nos faz bem:
Nos aquece, nos enlaça,
nos embriaga, nos transcende.
Nus.
Aceitamos instintivamente quem somos,
Mas só nesse lapso de tempo,
em que nos despimos de roupas e máscaras,
de status e stress, de grana e gana.
E nos perdemos das horas,
porque, quando se transa, o mundo pode desabar:
meter é tão gostoso, que o resto tanto faz!
Não, não sou recém desvirginada.
Se falo assim, entusiasmada, do seu falo e do nosso ato
É por estar agora empoderada do meu sexo, do meu prazer.
E recorro mesmo a essas fugas fugazes:
Em que se leva uma hora ou mais,
Na ode aos sentidos
No exercício do tato ritmado.
Para, em alguns segundos, explodir um orgasmo profundo
E fugir do meu mundo incerto, sem juízo.
Me recomponho por alguns minutos,
Pronta para mais umas, esperando o gozo final.
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