Perdi meu chão.
Começou com um leve trincado debaixo do meu colchão.
Aos poucos, pisando com cuidado, percebi que estava todo solto.
Perdi meu chão.
Aquele que eu acreditava ser firme, estável, seguro e inabalável.
Me expôs ao desconforto de ter que me alojar em outro lugar.
Me colocou em risco, me deixou trêmula e traumatizada.
Perdi meu chão.Tudo o que era sólido até ontem, se liquefez.
Minhas porcelanas se espatifaram.
Estou pisando em cacos.
Sou cacos.
Sou caos.
Perdi meu chão.
Para refazer meu caminho.
Para trilhar uma nova caminhada.
Vou escolher uma outra cor de piso.
Vou reaprender a não me assegurar de nada.
Quero perder o chão todos os dias
E ser verdadeiramente livre na estrada.
(Poema inspirado em um fato verídico, metáfora elaborada com ajuda da minha irmã Samara Coelho)
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