segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

CAMINHANTE


De repente, parei.
Algo no meio da estrada
Forçou-me a parada,
Não pude mais andar.

Estática fiquei.
Algo além me convocava!
Não sabia o que procurava, 
Temia avançar em vão.

No meu caminho,
Tinha barro e asfalto
Tinha poças e buracos,
Rachaduras pelo chão.

Bem no meio, encruzilhada,
Tinha fome e sede 
Tinha morte e medo,
Devaneio e solidão.

De súbito, me dei conta.
Eu precisava continuar!
Ninguém mais podia trilhar
O caminho que era meu.

Percebi, quase inocente,
Que nenhuma lei existente 
- De gravidade ou governança -
Podia me coibir nessa andança.

Só uma implosão poderia 
Mover de volta meu corpo
Pois, enfim, reconhecia 
Com todo peso e desgosto,
Que a pedra era eu.


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