sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O PARAQUEDAS ABRIU

Há algum tempo saltei
Ao que sentia ser um abismo de amor sem fim.
Criei meias ilusões,
Fantasiei fugas triviais.
Queria contaminar sua vida com a minha intensidade,
Mas senti que você não mergulha em águas profundas.

Parece, enfim, que a queda não era tão livre assim.
O meu paraquedas de emergência abriu,
A poucos metros do fundo do poço.
O feitiço se esvaiu
E estou retomando o fôlego.

Não quero te acusar
Nem atribuir a ti responsabilidade alguma
Só preciso me acostumar
Com o fato de ser agora apenas mais uma
Flor que murcha.

Aquela flor que surgiu
Daquela terra quase infértil
Floresceu, porque você dedicou
Seu carinho e algo mais.
Aquela era a sua flor
Não a ofertei a outro rapaz.
Jamais!
E ela está murchando,
Precoce, infelizmente,
Mas o tempo sabe o que faz...
Antes da primavera,
Sempre é outono.
No verão estarei solo pronto,
Para acolher novas sementes
E enfrentar outros temporais.

Me joguei mesmo
E fui feliz em quase tudo
Aprendi a lidar com o barulho do vento no escuro,
Com as incertezas de um querer quase clandestino.
Me entreguei, enquanto sentia suas mãos, 
Compartilhando entusiasmado
O frescor de cada encontro.
Só que um hora me vi sozinha
E você disse que virei rotina,
Me deixando com as mãos abanando.
Ativei, assim, o paraquedas emergencial
- O que se esconde, mas não me abandona -
E me salvei do meu próprio luto emocional.

Não me permito sofrer.
Sinto dor, porque arranquei nos dentes
O apego que eu mesma cravei em meu peito.
Quando estancar a ferida, estarei refeita
Te olharei nos olhos, serena
E não sentirei nada além de respeito.

Continua sendo "amor livre"
Só que agora estou em terra firme
E não caio mais em encanto algum.



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