terça-feira, 15 de abril de 2014

FLUIR PARA FRUIR

Deixar rolar, falo – ou melhor, digo isso – para poder exercer as maravilhas de estar vivente – não, não quis o gerúndio, quis o adjetivo mesmo, a qualidade do que vive...
Bem, agora parece confuso, né!

Deixe-me explicar com mais leveza:
Dá pra gozar sem relaxar?
Podem até haver muitas maneiras de se atingir um ápice, um pico, um climax.
Mas todas elas são marcadas pela qualidade líquida dos fatos e emoções.
Sendo assim, para ser deveras prazeroso, qualquer ato deve ser balizado – ou melhor, perpassado – pela fluidez.
As energias precisam circular, o ar precisa entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair... sem cessar!
Isso é fluição!
E mesmo que haja obstáculos – rochedos, crivos pseudo-morais, congestão – o que é para ser fluido passará, tomará seu caminho e atingirá o topo: o momento do regozijo. Isso é fruição.

Deixar fluir para poder fruir.
Pode parecer trocadilho medíocre, clichê, mas se faz necessário ratificar!
Usualmente estamos tão preocupados – presos, estagnados, impregnados de ideias fixas, auto-imagens ilusórias e desejos de aceitação externa – que não conseguimos, ao menos, respirar plenamente! Não permitimos o fluxo de algo que determina nossa qualidade de vida: nossa (in)expiração.

Daí vem a necessidade de deixar fluir...
Deixar fluir o stress – que ele passe e siga, que não se prenda em algum recôndito da nossa mente nem insista em nos fazer companhia!
Deixar fluir a raiva – que ela venha como tempestade e que saia em forma de grito ou lágrima... e que não vá muito além disso, por favor!
Deixar fluir a tristeza – que ela venha pesada e lancinante, dure o necessário e se transmute assim que amanhecer.
Deixar fluir a preguiça – que venha aos domingos e às segundas-feiras, que não seja mais austera do que nossa vontade de ir à luta.
Deixar fluir o afeto – que ele se expresse em sorrisos sinceros, abraços apertados e elogios espontâneos... e que não seja mal-interpretado!
Deixar fluir o prazer – de ouvir uma boa música, de dar gargalhadas quase infinitas, de comer coisas deliciosas, de fazer estripulias marotas, de transar e transcender, de atingir esses orgasmos múltiplos; e que nada disso incomode aos outros entes.

Relaxe e goze a vida.
Flua e frua.
(conjugue assim mesmo!)
O ''L'' é líquido. O ''R'' é rijo.

E eles são interdependentes.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário