Gorda feia!
Dizia sempre que me via,
Quando eu brincava na rua,
Todo dia.
Não podia me ver sorrir...
Gorda feia!
E eu já sabia que era gorda.
Mas feia, não entendia...
Para ser bela, deveria
Ser toda como Paquita:
Corpo, cabelo, cara, cor...
Gorda feia!
Repetia
Ecoava
Doía
Incutia na minha criança,
Minha pequena Siomara,
A ingênua e descabida
Vontade de ser outra
De não ser aquela
De não ser ela
De não ser eu.
Gorda feia!
Me convenceu.
Aceitei seus rótulos
E todo o pesado fardo
De ser exatamente assim.
Doeu por muitos anos
E ainda dói, quando em crise.
A minha criança ferida
Ainda não se curou.
A mulher,
Gorda feia,
Já se muniu de argumentos
E aprendeu o louvável
FODA-SE
Que todo babaca merece ouvir.
A gorda feia
Sobreviveu à sua violência!
Cresceu e apareceu.
Foi desejada e querida.
E viveu tanta coisa linda,
Que não cabe em pouca rima
Tanto brilho e tanto amor!

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